Oito pessoas ficaram feridas nesta terça-feira (13) em um ataque a faca dentro de um supermercado em Incheon, na Coreia do Sul, informou a polícia local. Uma das vítimas sofreu parada cardíaca. O suspeito, um homem, foi preso em seguida.

A polícia sul-coreana ainda apura a motivação do ataque. Mas o país já tem nome e estatística para esse tipo específico de crime: chama de "crime com motivação anômala" o ataque indiscriminado contra desconhecidos em espaço público, sem relação prévia entre agressor e vítimas.

A Polícia Nacional registra cerca de 40 casos desse tipo por ano no país, e um terço deles termina em homicídio ou tentativa de homicídio. É esse padrão que ajuda a explicar por que episódios como o de Incheon reacendem o mesmo debate.

Por que isso se repete na Coreia do Sul?

Um especialista ouvido pela emissora MBC atribui o fenômeno à combinação de três fatores: saúde mental não tratada, isolamento social e dificuldades econômicas.

Para ele, o diagnóstico precoce e o tratamento contínuo em saúde mental, articulados entre polícia e serviços sociais, são o caminho que falta. O isolamento social já é apontado como fator de risco também no Brasil, em contextos bem diferentes do coreano.

A resposta do Estado, até aqui, tem sido sobretudo policial: a Polícia Nacional reforçou patrulhas e criou a operação "Código 0" para denúncias de pessoas armadas em espaços públicos. O mesmo especialista cita o Japão como referência que o país ainda não seguiu.

Já aconteceu antes?

Sim. Em agosto de 2023, o país viveu dois ataques em dias seguidos. Em Seongnam, um homem atropelou cinco pessoas perto de uma estação de metrô e depois esfaqueou clientes em um shopping, deixando 14 feridos e 1 morte.

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No dia seguinte, um professor foi esfaqueado em uma escola de Daejeon.

Na época, a polícia chegou a investigar 46 pessoas por ameaças de ataques feitas pela internet, e montou operações especiais em 89 regiões de maior risco. O então presidente Yoon Suk Yeol chamou os ataques de "atos terroristas contra os cidadãos".

O ponto em aberto

Três anos depois, a Coreia do Sul segue registrando cerca de 40 casos por ano, e a resposta oficial continua concentrada em policiamento. A pergunta que o caso de Incheon reabre é se o país vai mudar de estratégia, ou vai seguir só reagindo.