Uma mulher de 74 anos teve a cirurgia na coluna adiada duas vezes no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, segundo a família dela. A paciente sofreu uma queda em 26 de setembro, com traumatismo cranioencefálico e lesão na medula.
Ela foi levada ao hospital por volta das 10h30 do mesmo dia, sem conseguir mexer as pernas, e fez uma tomografia. À noite, um neurocirurgião pediu ressonância magnética, já prevendo possível necessidade de cirurgia.
O que a família relata sobre o atraso
Segundo a filha da paciente, que não quis se identificar, um médico afirmou que a cirurgia precisaria ser feita em até 72 horas para evitar danos à mobilidade.
A operação foi marcada para 28 de setembro, mas cancelada: pinos e parafusos necessários não estavam esterilizados, segundo a filha. Foi remarcada para o dia seguinte e adiada de novo pelo mesmo motivo.
A cirurgia só ocorreu em 2 de outubro, seis dias após a queda. A família teme que o atraso tenha comprometido a recuperação dos movimentos das pernas da paciente.
O que diz o hospital
O Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual), que administra o hospital, afirmou em nota que a agenda cirúrgica respeita o critério de gravidade dos pacientes recebidos no pronto-socorro.
Questionado pela Folha sobre o prazo de 72 horas citado pela família e sobre os problemas de esterilização, o instituto não respondeu.
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Em nota, o Iamspe informou que a cirurgia de trauma raquimedular, realizada em 2 de outubro, serviu para descompressão da medula. Segundo o instituto, a paciente foi diagnosticada com quadro não progressivo e estável de tetraparesia grau 4, com leve dificuldade para se movimentar.
Traumatismo cranioencefálico é uma lesão por impacto ou movimento brusco na cabeça que pode atingir o cérebro. Em casos graves, o trauma também pode afetar a coluna e a medula espinhal, comprometendo força, sensibilidade e, dependendo da região, os movimentos.
Problemas de estrutura em hospitais ligados a institutos de servidores não são exclusivos de São Paulo: em Minas Gerais, o Ipsemg reabriu uma ala após 12 anos fechada, mas sindicatos alertam para falta de servidores.
Em outro caso recente de lesão medular grave, uma paciente em Curitiba recebeu tratamento inovador após acidente, ilustrando como o tempo de resposta pesa nesse tipo de trauma.
Falha em atendimento hospitalar já teve consequência judicial em outros estados: em Minas Gerais, o TJMG determinou indenização de R$ 100 mil à família de uma gestante que morreu após o parto em Contagem.





























