A General Motors tenta mudar regras brasileiras de homologação para viabilizar a venda oficial do Cadillac Escalade no país. A marca de luxo voltou ao Brasil após quase 70 anos fora, mas só trouxe os SUVs elétricos Optiq, Lyriq e Vistiq.

O Escalade, o modelo mais desejado, ficou de fora e hoje só chega ao país por importação independente, fora dos canais oficiais da marca.

Por que o Escalade não é vendido aqui

O obstáculo está nas diferenças entre as regras de homologação. O Brasil segue padrões alinhados à Unece, enquanto carros destinados aos EUA seguem as normas FMVSS (Federal Motor Vehicle Safety Standards).

Segundo Nancy Serapião, diretora da Cadillac para a América do Sul, os dois sistemas têm objetivos equivalentes de segurança, mas exigências diferentes podem obrigar alterações de engenharia em veículos vendidos em volumes menores.

A GM defende o reconhecimento do FMVSS pelo Brasil e está dialogando com o governo brasileiro sobre esse tema. São referências internacionalmente reconhecidas e equivalentes em segurança, mas diferenças regulatórias podem exigir adaptações técnicas e de engenharia, especialmente em veículos de menor volume.

O reconhecimento da FMVSS não aprovaria automaticamente nenhum modelo específico. Cada veículo ainda passaria por documentação, validação e homologação própria, segundo a executiva.

Um exemplo citado pela montadora envolve os encostos de cabeça. A lei brasileira exige o equipamento para todos os ocupantes de carros de passeio.

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Na versão americana do Escalade, a terceira fileira tem encosto de cabeça só na posição central, e os bancos laterais o trazem integrado de forma diferente.

O que mais pode mudar

A discussão não se limita à Cadillac. A Chevrolet Tahoe e a Chevrolet Suburban, que usam a mesma arquitetura e compartilham mecânica já conhecida no Brasil, também poderiam ser beneficiadas por uma eventual mudança de regra.

Ainda não há confirmação de versão ou prazo de venda para o Escalade no país.

A marca já havia reaberto a pré-venda no Brasil após 70 anos fora do país e, em seguida, colocou os SUVs elétricos à venda por até R$ 990 mil.

O movimento acompanha a estratégia mais ampla da General Motors no país: a montadora elevou o investimento no Brasil para R$ 10,5 bilhões neste ano.