Os programas de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), candidatos ao 2º turno da eleição de 25 de outubro, propõem caminhos diferentes para financiar o agronegócio: securitização de dívidas, no caso de Flávio, e mais CRA e Fiagro, no caso de Lula.

O financiamento do agronegócio é um dos desafios para sustentar o crescimento da produção brasileira. Além do Plano Safra e das linhas dos bancos, produtores dependem cada vez mais de fontes privadas do mercado de capitais.

Duas delas dão nome às propostas dos candidatos: o CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e o Fiagro (Fundo de Investimento nas Cadeias Agroindustriais).

O que cada programa detalha

O programa de Flávio Bolsonaro responde com securitização e reorganização de dívidas. Segundo o documento entregue à Justiça Eleitoral, o objetivo é dar ao produtor mais tempo para planejar o pagamento.

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Vamos ampliar o Seguro Rural e trazer ferramentas de securitização e reorganização das dívidas do setor, dando ao produtor o horizonte de mais de um ano que ele precisa para planejar.

O texto não detalha quais créditos ou recebíveis seriam usados nem estabelece metas de emissão. Flávio também propõe um fundo lastreado na securitização de ativos públicos, com parcerias para rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

Esse fundo, porém, não é vinculado especificamente ao financiamento rural.

O programa de Lula diz que o governo vai “continuar diversificando as fontes de financiamento, estimulando o mercado de capitais e títulos do agronegócio”, citando expressamente CRA e Fiagro.

O texto também não fixa meta de volume de emissões nem muda a regulação dos dois instrumentos. Lula promete ainda reforçar o seguro rural e criar instrumentos para perdas sistêmicas de safra, somados a irrigação e agricultura de precisão.

A comparação entre os dois programas mostra uma diferença de linguagem: Lula nomeia os instrumentos de mercado que já existem (CRA, Fiagro); Bolsonaro fala em securitização sem indicar a estrutura. Nenhum dos dois estabelece meta comparável de quanto crédito privado pretende atrair para o setor.

O que acontece agora

As duas campanhas têm agenda nesta terça-feira (13) em Brasília.

Segundo apuração da CNN Brasil, Lula deve lançar linhas de crédito e medidas para reduzir o endividamento de pequenos empreendedores, incluindo um projeto que eleva de R$ 81 mil para R$ 130 mil o limite de faturamento do MEI, hoje travado na Câmara.

Flávio retoma as visitas ao pai, Jair Bolsonaro, autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após 90 dias de proibição, antes de seguir para compromissos em São Paulo. O segundo turno entre os dois candidatos será decidido em 25 de outubro.

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A disputa pelo crédito rural ganha peso num momento em que o setor lida com endividamento. O agro teve alta de 66% em pedidos de recuperação judicial neste ano, à frente do varejo entre os setores mais afetados.

É nesse cenário que a promessa de securitizar dívidas, de Flávio, e a de ampliar CRA e Fiagro, de Lula, prometem fazer diferença — sem que nenhum dos dois diga quanto.

O governo Lula já usa a abertura de mercados externos como vitrine da política agrícola: a gestão afirma ter aberto 700 novos mercados para o agro desde 2023.