A derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no 2º turno e sua saída para os Estados Unidos deixaram a direita sem um nome à frente da oposição a Lula. O coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), disse que o grupo já alinhava Flávio para o papel.

"Estamos surpresos porque ontem nós conversamos sobre a necessidade de que Flávio, com os 60 milhões de votos que teve, assumisse esse papel de liderança da oposição"

Marinho fez a declaração à imprensa nesta terça-feira (27), após reunião com parlamentares e líderes do PL em Brasília, menos de 48 horas depois da derrota de Flávio.

Segundo o coordenador, ele soube da saída do país por mensagem de texto enviada por Flávio por volta das 8h, avisando que ia "dar um tempo" e que voltaria a falar com os aliados depois.

Horas antes, o próprio Marinho havia negado à imprensa que o senador tivesse deixado o Brasil.

Como o PL reagiu à saída do senador

O PL convocou reunião de emergência nesta terça, liderada pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. Nem todos os integrantes do partido sabiam da decisão de Flávio, segundo apuração do Metrópoles.

O deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara, manifestou apoio ao colega e o classificou como perseguido. Ao fim do encontro, porém, o PL não divulgou posição oficial sobre quem assume a liderança do grupo.

A crise interna chega um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega do passaporte de Flávio à Polícia Federal em 24 horas, por causa de inquérito que apura lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O PDT chamou a saída de "ilegal" em nota assinada pelo presidente da legenda, Carlos Lupi.

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Como o prazo não foi cumprido, a Polícia Federal cancelou os passaportes do senador. Apesar disso, Flávio não é considerado foragido: não há mandado de prisão contra ele.

A derrota para Lula, no 2º turno de domingo (25), foi por diferença superior a 4,4 milhões de votos.

O que acontece agora

O PL segue sem indicar quem assume a liderança da oposição ao governo Lula na ausência de Flávio. Os inquéritos contra o senador no STF seguem em curso, sem data prevista para conclusão.