O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil rumo aos EUA nesta terça-feira (27), quatro dias depois de o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, defender publicamente que ele saísse do país caso perdesse a eleição. "Com certeza", disse Eduardo, em transmissão ao vivo.
"Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza", disse Eduardo, na sexta-feira (23), dois dias antes do 2º turno, ao programa americano "Louder with Crowder".
Segundo Flávio, a fala do irmão foi o motivo pelo qual o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou, na segunda-feira (26), que a PF intimasse o senador a entregar os passaportes.
Horas depois, Flávio se reuniu com o advogado Frederick Wassef, aliado da família. Como o prazo não foi cumprido, a corporação cancelou os passaportes comum e diplomático do senador nesta terça.
Por que Eduardo mora nos Estados Unidos desde 2025?
Eduardo vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, alegando fugir de perseguição política. Formalizou licença de 120 dias da Câmara em 20 de março daquele ano, período em que já falava sobre temer ser preso e cogitava pedir asilo político.
A mudança veio depois de a Procuradoria-Geral da República denunciar Jair Bolsonaro e aliados pela tentativa de golpe de Estado, em fevereiro de 2025. Eduardo não estava na lista de denunciados.
Eduardo passou a defender publicamente que o governo americano sancionasse ministros do STF e integrantes da PGR e da Polícia Federal, para pressionar autoridades brasileiras a recuar dos processos contra o pai.
Em maio de 2025, essa atuação levou Moraes a abrir investigação contra o próprio Eduardo, por suspeita de coação e obstrução de investigação.
Flávio não é o único bolsonarista que deixou o país
Flávio não é o primeiro aliado de Jair Bolsonaro a deixar o Brasil em meio a investigações. O ex-diretor da PRF Silvinei Vasques foi preso no Paraguai em dezembro de 2025 tentando embarcar com documentos falsos.
O ex-deputado Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, deixou o país clandestinamente em setembro de 2025. Foi condenado pelo STF a 16 anos de prisão pela trama golpista e hoje é alvo de pedido de extradição do governo brasileiro.
Publicidade
Também deixou o Brasil a ex-deputada Carla Zambelli, condenada em dois processos judiciais, que seguiu para a Itália em maio de 2025. Uma audiência sobre sua extradição foi adiada pela Justiça italiana nesta terça-feira.
O que acontece agora
Flávio é investigado em dois inquéritos no STF: um sobre possível lavagem de dinheiro em plataformas de apostas, outro sobre o financiamento do filme 'Dark Horse', biografia de Jair Bolsonaro.
Depois da derrota, Flávio não reconheceu a vitória do adversário e disse que pediria a anulação do pleito. No dia seguinte, mudou de ideia e passou a dizer que buscaria a cassação da chapa petista por suposto abuso de poder.































