O Supremo Tribunal Federal marcou para 11 de setembro a retomada do julgamento virtual sobre as mudanças que o Congresso fez na Lei da Ficha Limpa. O placar está em 2 votos a 0 contra a flexibilização, com Cármen Lúcia e Luiz Fux.

O julgamento estava suspenso desde maio, quando o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo. Ele devolveu o pedido nesta sexta-feira (21), liberando o caso para nova data.

O que mudou na lei

A ação julga a validade da Lei Complementar 219/2025, que alterou a forma de contar os prazos de inelegibilidade de políticos condenados por improbidade administrativa.

Pela nova regra, o prazo de oito anos passa a contar a partir da decisão que decretou perda de mandato, renúncia ao cargo ou condenação por órgão colegiado.

Antes, a contagem começava depois do fim da legislatura ou do cumprimento da pena. Na prática, isso estendia o tempo que o político ficava fora da disputa eleitoral.

Cármen Lúcia, relatora do caso, escreveu em seu voto que as mudanças "esvaziam o instituto da inelegibilidade" e representam "patente retrocesso" nas regras de moralidade pública.

Quem pode ser afetado

A ação foi movida pelo partido Rede Sustentabilidade, que pede a suspensão integral da lei nova. Para o partido, as mudanças enfraquecem a proteção à probidade administrativa criada pela Lei da Ficha Limpa em 2010.

Do outro lado, a mudança tem origem no próprio Congresso Nacional, que aprovou a Lei Complementar 219/2025 no ano passado.

Se as novas regras forem mantidas pelo STF, políticos como Eduardo Cunha, Anthony Garotinho e José Roberto Arruda podem se beneficiar da redução nos prazos de inelegibilidade.

Garotinho concorre ao governo do Rio de Janeiro e Arruda ao governo do Distrito Federal nas eleições deste ano.

O julgamento é considerado estratégico para o cenário eleitoral de 2026, porque pode mudar a situação de candidatos que já estão registrados neste ano.

O que ainda pode mudar

Faltam nove votos para o STF concluir o julgamento. Cármen Lúcia e Fux votaram pela inconstitucionalidade das mudanças; nenhum outro ministro votou até agora.

A sessão de 11 de setembro é virtual, formato em que os ministros registram o voto em plataforma própria, sem necessidade de comparecer ao plenário físico.

O Congresso Nacional também retoma os trabalhos em setembro sob pressão do calendário eleitoral: o primeiro turno das eleições de 2026 é em 4 de outubro, menos de um mês depois da data marcada para o julgamento.