Uma segunda onda de frio, mais forte que a que já esfria o país desde terça-feira (1º), deve chegar ao Brasil entre os dias 5 e 6 de setembro, com pico previsto para a segunda-feira (7), data do desfile de Independência. É a mesma dinâmica climática que já tinha feito a Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitir alerta de enchente semanas atrás, com a reconstrução de 2024 ainda incompleta. A causa é um ciclone extratropical no litoral sul, que empurra uma massa de ar polar sobre o território.

A primeira onda já atinge Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, partes de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além do Mato Grosso do Sul. A segunda amplia o alcance: no auge, deve cobrir o norte do Rio Grande do Sul, quase toda Santa Catarina, o sul do Paraná, avançar sobre o sul e leste de São Paulo, o sul de Minas e o Rio de Janeiro, e chegar até o Acre, Rondônia e o oeste do Mato Grosso.

Por que este frio é incomum em setembro

Nas regiões serranas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a previsão aponta temperaturas abaixo de 0°C. Em pontos altos do Mato Grosso do Sul e de São Paulo, a mínima deve ficar perto de 2°C. Segundo o serviço de meteorologia Meteored, a intensidade prevista é "incomum para esta época do ano". Episódio de frio deste porte no início de setembro foge do padrão para o mês, que já marca a transição para a primavera.

O contraste fica mais nítido quando comparado ao recorde histórico brasileiro: a menor temperatura já medida oficialmente no país, segundo o INMET, foi -14°C, em Caçador (SC), em junho de 1952, no auge do inverno. É a mesma lógica que já tinha feito o país saltar de -6°C a 44°C em uma única semana em agosto. Uma onda de frio capaz de levar termômetros a zero grau já em setembro é sinal de que o inverno brasileiro não está seguindo o calendário de costume este ano.

Essa mesma imprevisibilidade apareceu de outro lado nesta semana: a TV Sim Brasil mostrou como o El Niño classificado como "muito forte" eleva o risco de seca e incêndio em boa parte do país. Seca de um lado, onda de frio atípica do outro, na mesma janela de dias: o padrão climático deste ano tem produzido extremos opostos, não um comportamento único e previsível.

O que muda para quem sai na rua no feriado

O pico da onda de frio coincide com o desfile de 7 de Setembro, quando boa parte do país tem programação cívica ao ar livre. Quem mora nas áreas sob alerta de frio mais intenso (Sul, parte do Sudeste e trechos do Centro-Oeste e do Norte) deve se preparar para acompanhar o feriado com temperatura bem abaixo do normal para a época, e não há, até esta apuração, indicação de cancelamento de atividades por causa do frio.

O que a TV Sim observa

Duas ondas de frio em uma semana, com previsão de temperatura negativa fora do inverno, valem como sinal de atenção, não de alarme. O episódio reforça que checar a previsão do tempo antes de planejar o feriado deixou de ser exagero: o padrão climático deste ano já mostrou que pode entregar recorde de seca numa região e frio atípico em outra, quase ao mesmo tempo.