A Uber anunciou nesta quarta-feira (2) o corte de 3.300 vagas em sua equipe corporativa, cerca de 10% da força de trabalho administrativa da empresa em todo o mundo. É o maior enxugamento da companhia desde maio de 2020, quando cerca de 6.700 pessoas foram demitidas durante a queda de demanda da pandemia.

Com o corte, o quadro de funcionários cai para pouco menos de 30 mil pessoas. A reestruturação também reduz em 20% o número de gerentes, parte deles realocada para funções sem responsabilidade de gestão.

O CEO Dara Khosrowshahi atribuiu a decisão ao crescimento acelerado da empresa nos últimos anos. Segundo ele, a expansão criou "mais camadas, mais coordenação, propriedade mais fragmentada" do que a Uber deveria ter na escala atual.

Quem fica de fora do corte

As vagas eliminadas são de funcionários corporativos, contratados em regime integral. Os cerca de 10 milhões de motoristas cadastrados na plataforma no mundo todo não são afetados, porque a empresa os trata como trabalhadores autônomos, não como empregados.

É justamente esse enquadramento jurídico que está em disputa no Brasil. O STF começou a julgar se o motorista de aplicativo tem vínculo empregatício com plataformas como a Uber, decisão que pode mudar por completo essa relação no país.

A empresa também enfrenta uma ação do Ministério Público do Trabalho no Brasil. O MPT processa a Uber e pede R$ 321 milhões por uma taxa cobrada dos motoristas que o órgão considera abusiva.

O que acontece agora

Além dos cortes, a Uber muda a política de trabalho remoto. Só cerca de 1% dos funcionários poderá trabalhar de casa a partir de agora, e as equipes de operações de restaurantes, varejo e entrega própria serão fundidas em uma estrutura só.

Até a publicação desta matéria, a Uber Brasil não havia confirmado se o corte de vagas atinge a operação no país. A empresa diz que a reorganização mira liberar investimento para transporte por aplicativo, entregas e táxis autônomos.

O tema segue sensível também para quem roda pela plataforma no Brasil. Entregadores de aplicativo fizeram parada nesta semana cobrando R$ 10 por corrida, num movimento separado dessa reestruturação, mas que mostra a pressão em curso sobre a remuneração no setor.