O contrato de algodão com vencimento em dezembro valorizou 16,81% na bolsa de Nova York desde o início de julho, para 90,02 centavos de dólar por libra-peso. A alta ocorre no mesmo mês em que o Brasil bateu recorde de exportação do produto, com 3,37 milhões de toneladas embarcadas no ano comercial 2025/26.

O volume é 19% maior que o do ciclo anterior, quando o país exportou 2,84 milhões de toneladas. É a primeira vez que o Brasil supera 3 milhões de toneladas em um único ano comercial.

O desempenho ajuda a explicar por que a agropecuária voltou a puxar o PIB no 2º trimestre, com alta de 2,8%.

Por que o preço subiu

A valorização reflete principalmente a preocupação com as condições das lavouras de algodão nos Estados Unidos, e o possível efeito disso sobre a produção americana. Na última semana de agosto, o contrato avançou 3,25% sozinho.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o Brasil siga como maior exportador mundial de algodão em 2026/27, à frente dos próprios Estados Unidos.

Até poucas semanas atrás, o cenário era outro. Cotações do algodão chegaram ao menor nível real desde 2009, e produtores enfrentavam quase dois anos seguidos de preços em queda.

Até o fim de agosto, a mesma exportação recorde convivia com preço travado no mínimo. O cenário mudou nas últimas semanas.

O outro lado: a indústria têxtil

A alta do algodão pesa sobre a indústria têxtil brasileira, que já entrou em 2026 sob pressão de custo alto e concorrência de importados. Produzir uma peça básica no Brasil custa até 30% mais que em polos industriais da China e do Vietnã.

A pressão para o setor têxtil vem de dois lados. O preço mais alto da matéria-prima encarece a produção interna, e a concorrência de roupas importadas, sobretudo chinesas, limita o repasse desse custo ao consumidor.

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O algodão não é a única commodity agrícola em alta em Nova York. O café disparou mais de 4% recentemente, puxado por safra lenta no Brasil.

A soja também opera no maior patamar de preço desde 2023.

O que acontece agora

O ciclo comercial 2025/26 já fechou, com o recorde de exportação confirmado. O mercado agora observa a safra 2026/27, com o USDA apontando o Brasil na liderança global mesmo diante da concorrência americana.