A Raízen vendeu a Usina Caarapó, em Mato Grosso do Sul, para a Adecoagro por R$ 705 milhões. O negócio foi fechado nesta terça-feira (1º), 7% abaixo dos R$ 760 milhões anunciados em julho. A usina processou 3,5 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26 e fica a cerca de 100 km de outras duas unidades da compradora.
A transação inclui a planta industrial, a cana-de-açúcar própria da Raízen e os contratos com fornecedores vinculados à unidade. Segundo a empresa, a diferença de 7% em relação ao valor anunciado corresponde a ajustes de preço usuais nesse tipo de negócio.
A venda integra o plano de otimização do portfólio da Raízen. A companhia protocolou pedido de recuperação extrajudicial em 11 de março para reestruturar R$ 65,14 bilhões em créditos financeiros, a maior recuperação extrajudicial da história do Brasil.
A Justiça de São Paulo homologou o plano em 30 de julho, com adesão inicial de 47% dos credores. Com a saída de Caarapó, a companhia passa a operar 23 usinas, com capacidade instalada de moagem de cerca de 69 milhões de toneladas.
A Raízen já havia vendido suas operações na Argentina por US$ 1,42 bilhão, no mesmo movimento de desalavancagem.
O caso da Raízen é recuperação extrajudicial, processo diferente, mas não é um episódio isolado no país.
Segundo o Monitor RGF-BizDoc, o Brasil fechou o primeiro semestre com 6.341 empresas em recuperação judicial ativa, alta de 6,2% em relação a 2025. O agronegócio está entre os setores mais afetados.
"A aquisição de Caarapó representa uma extensão natural da nossa presença industrial", disse Renato Junqueira Santos Pereira, vice-presidente de Açúcar, Etanol e Energia da Adecoagro.
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Na prática, a Raízen abre mão de mais uma usina para pagar dívida bilionária, e a Adecoagro ganha escala na região onde já opera. É o desconto de quem vende sob pressão encontrando o apetite de quem está por perto.
O que acontece agora
A Adecoagro quer elevar a moagem de Caarapó para 4,5 milhões de toneladas até 2027. A meta inclui direcionar excedente de cana de outras unidades da região, projetando processar 17 milhões de toneladas nas três usinas no Mato Grosso do Sul em 2027.
Do lado da Raízen, a venda de Caarapó marca mais um passo do plano de recuperação extrajudicial já homologado pela Justiça. A companhia segue classificando a simplificação do portfólio de usinas como prioridade da reestruturação.


























