O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (2) que os EUA mantêm "um bom relacionamento com o Brasil, um bom relacionamento com praticamente todos eles". A declaração ocorreu na Casa Branca, durante um encontro com executivos do setor de viagens, quando ele foi questionado sobre bases militares na América do Sul.
Trump descreveu a região como "muito diferente" atualmente, com governos majoritariamente de direita. Ele citou como exemplos a Colômbia, sob Abelardo de La Espriella, e a Argentina, sob Javier Milei, que tenta segurar a recuperação econômica em meio à queda de popularidade.
Nós temos um bom relacionamento com o Brasil, um bom relacionamento com praticamente todos eles.
A fala se soma ao esforço de Trump de reunir um bloco de aliados conservadores na região, batizado de "Escudo das Américas" e lançado numa cúpula em Miami em março. Líderes de esquerda, como o mexicano e a venezuelana Delcy Rodríguez, não foram convidados.
Como fica o tarifaço enquanto isso
O comentário de Trump não mudou o quadro da negociação comercial entre os dois países. Segundo o boletim publicado pela Tribuna do Sertão, Brasil e EUA retomaram as conversas sobre o tarifaço em 31 de agosto, após telefonema de 1h20min entre Lula e Trump.
A sobretaxa aplicada a produtos brasileiros soma 37,5%, resultado de duas medidas: uma alíquota de 25% específica ao Brasil e outra de 12,5% decorrente de uma investigação sobre trabalho forçado. Em reunião com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, o governo brasileiro já havia classificado a cobrança como discriminatória.
Novas rodadas técnicas estão previstas para setembro, mas o governo brasileiro não espera acordo antes de outubro. Integrantes do governo temem que o tarifaço se torne permanente caso a negociação não avance nas próximas semanas.
Trump não citou o presidente Lula nem as eleições brasileiras de outubro na fala desta quarta. O comentário ficou restrito ao termo genérico “relacionamento”, no mesmo dia em que os dois países seguem sem avanço concreto nas tarifas.
O que acontece agora
As equipes técnicas do Brasil e dos EUA devem se reunir novamente ainda em setembro para discutir a redução da sobretaxa. Não há data marcada para um novo contato direto entre Lula e Trump, e o governo brasileiro trabalha com a expectativa de que qualquer sinalização mais concreta só venha depois de outubro.


























