O ex-banqueiro Daniel Vorcaro trocou de defesa nesta segunda-feira (10) e pediu, pelo novo advogado Daniel Bialski, audiência com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para retomar as negociações de delação premiada no caso do Banco Master, cujo desvio a investigação estima entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões.

Bialski foi contratado na última semana e passou a atuar ao lado de Sérgio Leonardo, advogado que acompanha Vorcaro desde o início das investigações. Mendonça é o relator do inquérito do Banco Master no STF desde fevereiro.

O pedido de audiência marca a terceira tentativa de Vorcaro de fechar um acordo de colaboração premiada. As duas propostas anteriores foram rejeitadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Por que os dois primeiros pedidos foram recusados

Segundo apuração da PF e da PGR, as propostas anteriores não traziam fatos novos. As informações apresentadas por Vorcaro já coincidiam com dados extraídos de mais de dez celulares apreendidos pela investigação.

Também pesou a falta de acordo sobre o valor exato desviado e o paradeiro dos recursos, e a avaliação de que o ex-banqueiro não assumiu responsabilidade pelos crimes apurados.

A nova defesa pediu até seis horas diárias de acesso a Vorcaro para um "debriefing" antes de apresentar uma proposta revisada de colaboração.

O antigo advogado, José Luiz de Oliveira Lima, tinha atritos com Mendonça. É um desgaste que a nova equipe busca reverter antes de retomar o diálogo com o STF.

Vorcaro está preso desde março na Penitenciária Federal de Brasília, a Papuda. Desde julho, sua defesa já sinalizava a estratégia de priorizar um acordo de devolução de recursos em troca de benefícios, em vez de insistir só na delação. É esse plano que a troca de equipe em agosto tenta colocar em prática.

A investigação também levou à prisão de parentes próximos de Vorcaro: o pai, Henrique Vorcaro, o primo Felipe Vorcaro, e o cunhado, Fabiano Zettel.

Os três são investigados no mesmo inquérito e não foram condenados.

É a terceira tentativa de acordo desde que o caso começou a ser apurado. As duas primeiras ficaram pelo caminho ainda sob a defesa anterior, o que reforça o peso da mudança de equipe agora.

Quantas chances a Justiça ainda dá a um acordo

Duas propostas já caíram por falta de fatos novos e de garantias sobre a devolução dos recursos. Resta saber se a terceira tentativa, com equipe renovada e pedido de acesso ampliado a Vorcaro, traz o que faltou nas duas primeiras, ou se o inquérito segue sem acordo até o fim da instrução.