O ministro do STF Flávio Dino autorizou nesta segunda-feira (24) que a Polícia Federal acesse dados de uma operação da Polícia Civil de São Paulo. O alvo era a produtora do filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. A decisão alimenta o inquérito que apura o uso de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produção.

A Polícia Civil de São Paulo investigou Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, em uma operação realizada em junho. A apuração mirava suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos ligados à produção do filme.

O deputado federal Mário Frias (PL-SP), também um dos produtores de "Dark Horse", destinou R$ 2 milhões em emenda parlamentar ao Instituto Conhecer Brasil, presidido pela própria Karina Gama. O inquérito sobre o uso dessas emendas é relatado por Dino no STF.

Duas frentes de investigação no STF

Existe uma segunda apuração sobre o filme, relatada pelo ministro André Mendonça. Ela investiga se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, financiaram a produção.

Vorcaro está preso desde novembro de 2025, suspeito de fraude que causou rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos, caso distinto do Dark Horse.

Segundo requerimento apresentado à PF e à PGR pela senadora Teresa Leitão (PT-PE), Vorcaro havia se comprometido a bancar o filme com R$ 134 milhões. Até 20 de agosto, R$ 62 milhões já tinham sido repassados.

A defesa de Flávio Bolsonaro pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que reúna os dois inquéritos sob a relatoria de Mendonça. O argumento é que diligências separadas poderiam gerar decisões conflitantes. Fachin ainda não julgou o pedido.

O que Flávio Bolsonaro diz

Questionado sobre a origem do dinheiro de Vorcaro em compromisso de campanha em São Paulo, o senador afirmou ter visto a prestação de contas do filme e que "estava tudo certinho".

Ele chamou a polêmica de "página virada" e não apresentou publicamente documentação detalhada sobre os recursos.

Em nota à reportagem, Flávio Bolsonaro já afirmou que buscava financiamento privado para o filme e negou ter cometido irregularidades no episódio.

Relembre o caso

Flávio Bolsonaro revelou ter negociado os R$ 134 milhões com Vorcaro para financiar o filme sobre o pai.

Ao ser cobrado sobre a origem dos recursos, ele chamou o caso de "página virada" sem detalhar as contas do projeto.

Dias depois, a senadora Teresa Leitão acionou a PF e a PGR pedindo informações sobre as investigações em curso.