A Procuradoria-Geral da República (PGR) fechou nesta quinta-feira (3) um acordo de colaboração premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro", apontado como operador de repasses ligados ao financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Segundo o acordo, Freixo relatou pagamentos feitos a pedido do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e apresentou informações sobre transferências ao exterior.
De acordo com a colaboração, Vorcaro enviou ao menos US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 65 milhões) para o financiamento do filme, incluindo uma transferência de US$ 1,6 milhão em setembro de 2025.
Os pagamentos eram feitos ao Havengate Development Fund, fundo americano sediado no Texas, que administrava o dinheiro e o repassava à Go Up Entertainment, produtora do filme. Um dos administradores do Havengate é Paulo Calixto, advogado de imigração e advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Freixo é dono da Entre Investimentos e Participações, empresa usada nos repasses. O caso ganhou força depois que o Banco Central liquidou, em março, a Entrepay, instituição de pagamento também usada na movimentação do dinheiro.
O valor de R$ 65 milhões relatado por Freixo é menor do que o citado publicamente pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que já havia mencionado R$ 130 milhões ligados ao Dark Horse em outro contexto do mesmo inquérito.
A diferença entre os números ainda não foi explicada pelas partes envolvidas.
O nome de Eduardo Bolsonaro aparece no caso por meio do advogado que administra o fundo americano. Procurado pela imprensa, o ex-deputado nega ter recebido qualquer repasse do esquema.
Segundo o acordo, quem negociou as parcelas dos pagamentos foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência da República.
A colaboração de Freixo é a mais recente peça do inquérito que investiga a origem do dinheiro que financiou o "Dark Horse". Em agosto, um perito nomeado pela Justiça já havia admitido não ter conseguido rastrear a origem completa dos valores movimentados por Vorcaro.
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A proposta de colaboração agora segue para o ministro André Mendonça, do STF, relator do inquérito sobre o Banco Master e sobre o financiamento do "Dark Horse". Caberá a ele avaliar se homologa o acordo com Freixo.
Mendonça enfrenta questionamentos sobre sua atuação no caso. Nesta quinta, o ministro anunciou que vai deixar a sociedade de um instituto próprio após reportagens apontarem conflito de interesse na relatoria do processo.
O que acontece agora
Mendonça ainda não deu prazo para decidir sobre a homologação do acordo com Freixo. A PGR não informou se pretende oferecer denúncia formal contra outros envolvidos na movimentação do dinheiro, e nem Vorcaro nem Paulo Calixto se manifestaram publicamente sobre o fechamento da delação.


























