A senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo Lula no Senado, pediu à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República informações sobre as investigações que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o financiamento do filme Dark Horse e uma disputa por um imóvel de R$ 10 milhões em Angra dos Reis (RJ).

Segundo o requerimento protocolado nesta quinta-feira (20), a senadora quer saber se existem inquéritos, notícias de fato ou outros procedimentos da PF e da PGR relacionados ao caso.

Ela também cobra dados sobre atos da Secretaria do Patrimônio da União envolvendo o imóvel de Ilha Comprida, em Angra dos Reis.

O pedido tem como pano de fundo a negociação direta entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, entre outubro e novembro de 2025.

Vorcaro se comprometeu a bancar o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro com R$ 134 milhões, dos quais R$ 62 milhões já foram repassados.

Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que buscava financiamento privado para a produção do filme e negou ter cometido irregularidades no episódio.

Quem organizou o encontro entre os dois

O primeiro contato entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro foi articulado pelo publicitário Thiago Miranda, no fim de 2024, em Brasília.

Miranda é hoje alvo da 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, que apura o financiamento do filme e a rede de relações entre os investigados.

Segundo a Gazeta do Povo, ele também intermediou a contratação de influenciadores para defender o Banco Master e criticar o Banco Central.

O inquérito sobre o repasse ao filme foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e apura as circunstâncias do financiamento.

Segundo Teresa Leitão, as informações pedidas destinam-se ao exercício da atividade parlamentar de fiscalização, e o requerimento não pretende antecipar juízo sobre a responsabilidade de qualquer pessoa envolvida.

O precedente do rombo bilionário

Vorcaro é o mesmo banqueiro por trás da quebra do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 com um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o maior da história do sistema bancário brasileiro.

Ele é investigado na Operação Compliance Zero por suspeita de integrar organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção.

O segundo pedido de Teresa Leitão trata de uma disputa judicial à parte, sobre o imóvel avaliado em R$ 10 milhões em Ilha Comprida, que envolve o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz.

Flávio Bolsonaro teria visitado a propriedade e demonstrado interesse em comprá-la, e por isso foi chamado como testemunha no processo.

A PF e a PGR não haviam respondido publicamente aos dois pedidos até a publicação desta matéria.