O Brasil deve embarcar um volume inédito de soja na próxima temporada. Projeções divulgadas pela consultoria Safras & Mercado em 24 de julho apontam exportação de 110 milhões de toneladas de soja em grão na safra 2026/27, ante 108 milhões de toneladas estimadas para a safra 2025/26 — o que consolidaria mais um recorde para o principal produto da pauta agrícola brasileira.

O número vem apoiado na expectativa de uma colheita também maior. A consultoria trabalha com produção de 180,1 milhões de toneladas em 2026/27, acima das 178,3 milhões de toneladas da safra atual, puxada por uma expansão de cerca de 1,2% na área plantada. Somados os estoques de passagem, a oferta total chegaria a 190,7 milhões de toneladas, contra demanda de 177,1 milhões — o que deixaria um estoque final de 13,6 milhões de toneladas. O processamento interno, que abastece as indústrias de farelo e óleo, foi projetado em 63,5 milhões de toneladas.

Julho já vinha forte

O cenário de safra cheia se apoia num presente igualmente aquecido. A Anec, associação que reúne os exportadores de cereais, elevou a projeção de embarques de soja em julho de 12,2 milhões para 13,7 milhões de toneladas, volume 15% superior ao do mesmo mês de 2025. O farelo de soja também foi revisado para cima, a 2,57 milhões de toneladas, alta de 20% na comparação anual. Somados os grãos, a entidade projeta 19,8 milhões de toneladas embarcadas no mês, avanço de 9% em um ano — com a ressalva de que os volumes dependem da capacidade operacional dos portos.

O milho segue na direção oposta: a projeção da Anec para julho é de 3,43 milhões de toneladas, queda de 14% ante julho do ano passado — reflexo do calendário da segunda safra, cuja colheita, segundo levantamentos de mercado, se aproximava de 60% da área plantada na semana passada.

Preço melhor sustenta a receita

Os dados oficiais confirmam o ritmo. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), nos primeiros 13 dias úteis de julho o Brasil exportou 7,539 milhões de toneladas de soja em grão, com receita de US$ 3,303 bilhões. O preço médio ficou em US$ 438,20 por tonelada, alta de 7,4% sobre o mesmo intervalo de julho de 2025 — combinação de mais volume com preço melhor que elevou a receita média diária em 16,9%.

O efeito aparece na balança comercial. Até a terceira semana de julho, as exportações brasileiras somavam US$ 19,38 bilhões, alta de 6,7%, contra US$ 14,43 bilhões em importações, gerando superávit de US$ 4,95 bilhões — 25,2% maior que o do mesmo período do ano passado. As vendas externas da agropecuária responderam por US$ 4,308 bilhões, avanço de 6,5% na comparação anual, com soja, algodão em bruto e tabaco entre os destaques.

Projeções feitas antes do plantio, porém, carregam margem larga de incerteza: dependem do regime de chuvas entre setembro e março, do câmbio e do ritmo da demanda chinesa, principal compradora do grão brasileiro. Os números tendem a ser revisados a cada levantamento mensal ao longo do ciclo.