O Rio Grande do Sul chega ao fim de julho com um balanço pesado das tempestades que atingiram o estado desde a semana do dia 20: 206 municípios já registraram algum tipo de dano e 682 pessoas estão desalojadas em 47 cidades, segundo o levantamento divulgado pela Defesa Civil estadual no sábado (25). E o quadro não deve melhorar nos próximos dias — o órgão emitiu novo alerta para uma sequência de temporais severos entre domingo (26) e terça-feira (28).
Entre os estragos contabilizados até agora estão quedas de árvores e de postes, destelhamentos, deslizamentos de barreiras, pontes submersas, bloqueios em estradas, rios transbordando e interrupções no fornecimento de energia. Arroio dos Ratos, na região carbonífera, é um dos pontos mais críticos, com cerca de 100 desalojados. Rajadas de vento de 46,4 km/h foram medidas em Tramandaí e em Palmares do Sul, no Litoral Norte.
O que esperar de domingo a terça
Para este domingo (26), a previsão é de pancadas isoladas com granizo e chuva moderada a ocasionalmente forte no noroeste, norte, nordeste, Serra, Região Metropolitana de Porto Alegre e Litoral Norte. A partir de segunda-feira (27), o cenário se agrava: a Defesa Civil projeta tempestades severas com granizo de maior dimensão, rajadas de vento acima de 90 km/h e chuva intensa no oeste, na Campanha, no centro, no sul, na Costa Doce, nos Vales, na Serra, na Região Metropolitana e no litoral.
Os acumulados podem ultrapassar 120 milímetros em curto intervalo de tempo, principalmente na terça-feira (28), e chegar a 200 milímetros em 48 horas. Nove municípios foram listados como pontos de atenção prioritária: Uruguaiana, São Borja, Santa Maria, São Gabriel, Santa Cruz do Sul, Camaquã, Porto Alegre, Gramado e Tramandaí.
Rios sob vigilância
Com o solo já encharcado pelas chuvas da semana anterior, o risco hidrológico é o principal motivo de preocupação. Estão sob monitoramento o rio Jacuí, no trecho entre Dona Francisca e o Delta; o rio Uruguai, com atenção especial ao Baixo Uruguai, entre São Borja e Uruguaiana; e o Ibirapuitã, em Alegrete, que opera próximo à cota de inundação.
A orientação da Defesa Civil é evitar deslocamentos durante as tempestades, não atravessar áreas alagadas, manter distância de árvores e estruturas metálicas e acompanhar as instruções das autoridades locais. A instabilidade sobre os três estados do Sul deve se estender até o dia 1º de agosto, segundo as projeções meteorológicas. No Sudeste, a passagem de uma frente fria nos dias 23 e 24 rompeu o bloqueio de ar seco e devolveu chuva a parte de Minas Gerais, com os maiores volumes nas divisas com Rio de Janeiro e São Paulo — sem, porém, o cenário de severidade previsto para o Sul.













