Dois dias depois do temporal que atingiu Ribeirão Preto e municípios vizinhos, no interior de São Paulo, parte da cidade ainda estava sem energia elétrica neste domingo (26). A tempestade, registrada na madrugada de sexta-feira (24), derrubou 34 torres de linhas de transmissão de 138 kV e mais de 200 postes, provocando um apagão que atingiu cerca de 115 mil unidades consumidoras na região.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse que a região enfrentou um episódio meteorológico fora do padrão. Segundo ele, uma estação do Instituto Agronômico (IAC) chegou a medir rajadas de 160 km/h; os registros oficiais de estações meteorológicas da cidade apontaram ventos de cerca de 122 km/h — já entre os mais fortes do histórico local. A empresa de meteorologia Climatempo atribuiu o fenômeno a uma sequência de microexplosões, que são descidas rápidas de ar frio capazes de gerar rajadas destrutivas em faixas concentradas do terreno, e não a um tornado.
Uma morte e emergência decretada
A Prefeitura de Ribeirão Preto confirmou uma morte: um idoso de 82 anos foi atingido pelo desabamento de um galpão sobre a casa onde dormia, no Jardim Salgado Filho. O município decretou estado de emergência e calamidade pública ainda na sexta-feira, com validade de 180 dias — prazo que permite contratações emergenciais e acesso mais rápido a recursos federais. Taquaritinga adotou medida semelhante.
A Defesa Civil estadual enviou equipes para Ribeirão Preto, Guariba e Taquaritinga para apoiar as prefeituras nas ações de resposta, com articulação junto à Defesa Civil Nacional. Unidades de saúde do município chegaram a ficar fechadas por falta de energia, com atendimento redirecionado para outros pontos da rede.
Energia restabelecida aos poucos
A CPFL Paulista mobilizou cerca de 250 equipes, com reforço de profissionais vindos de Franca, Araraquara, Campinas e Piracicaba. No pico da ocorrência, Ribeirão Preto somava aproximadamente 91 mil imóveis sem luz, seguida por Guariba (16 mil), Taquaritinga (5 mil), Pradópolis (2,4 mil) e Dumont (780). Em Taquaritinga, a interrupção chegou a atingir a maior parte da população.
Neste domingo, a concessionária informava mais de 90% do fornecimento restabelecido na cidade, com o número de clientes ainda sem energia caindo de cerca de 10 mil pela manhã para pouco mais de 5,7 mil ao longo do dia. O presidente da CPFL Paulista, Rafael Lazzaretti, afirmou que as subestações já estavam energizadas e que a dificuldade remanescente se concentrava nos trechos onde postes e torres caíram e precisam ser reerguidos — trabalho que exige reconstrução física da rede, e não apenas religamento.
Além do impacto urbano, o setor de agronegócio da região, um dos mais fortes do país, contabilizou prejuízos com a interrupção do fornecimento e os danos à infraestrutura elétrica.














