O PSD oficializou neste domingo (26), em convenção nacional em São Paulo, a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência da República. O presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, foi confirmado como candidato a vice. Caiado subiu ao palco ao lado de Kassab e da mulher, Gracinha Caiado, que disputa uma vaga ao Senado por Goiás pelo União Brasil.

A chapa vai ao pleito sem coligação nacional — a chamada chapa pura. A composição ficou restrita ao próprio PSD depois que o Republicanos, principal aliado do governador paulista Tarcísio de Freitas, decidiu apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), oficializada no sábado (25). Kassab minimizou o isolamento: segundo ele, o partido não terá dificuldade de montar palanque para Caiado nos estados.

Discurso mira os dois polos

No primeiro discurso como candidato, Caiado se posicionou como a alternativa à polarização que domina a corrida presidencial. "Um está há 20 anos no poder e não fez nada além de empobrecer o Brasil em comparação com outros países do mundo. O outro já teve oportunidade e não construiu nada", afirmou, em referência ao presidente Lula e ao campo bolsonarista.

A segurança pública, marca de sua gestão em Goiás, apareceu como eixo central da campanha. Caiado prometeu endurecer a legislação contra organizações criminosas e repetiu o bordão que o acompanha desde o governo estadual: "Comigo bandido não se cria". Ele também desafiou Lula a participar de debates sobre segurança e educação. O primeiro confronto direto entre os presidenciáveis está previsto para 16 de agosto.

Palanques estaduais em aberto

O desafio prático da chapa pura aparece nos estados. Sem aliança nacional, o PSD convive com lideranças regionais que já sinalizaram apoios distintos na disputa presidencial, incluindo alas próximas de Tarcísio de Freitas e outras alinhadas ao governo Lula. Em Minas Gerais, onde a corrida ao Palácio Tiradentes segue em montagem, o partido ainda não fechou uma posição unificada sobre o palanque presidencial.

Com a convenção do PSD, o quadro do primeiro turno começa a se desenhar: Lula pela reeleição, Flávio Bolsonaro pelo PL e Caiado tentando ocupar o espaço do centro-direita não bolsonarista. As convenções partidárias seguem até o início de agosto, e o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral encerra o desenho das chapas antes do início da propaganda eleitoral.