O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou as páginas do jornal norte-americano The Washington Post neste domingo (26) para responder ao novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. No artigo, Lula classificou a sobretaxa como um "erro estratégico" e afirmou que o Brasil não será derrotado "com base em mentiras".
A reação vem depois de o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) impor, em 15 de julho, uma sobretaxa de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros que inclui ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol e produtos farmacêuticos. A esse porcentual soma-se uma tarifa adicional de 12,5% justificada por alegações de trabalho forçado, o que faz parte dos embarques brasileiros chegar a até 37,5% de tributação extra na entrada do mercado americano.
Os números apresentados pelo presidente
No texto, Lula sustentou que o efeito da política tarifária já aparece nas estatísticas de comércio. Segundo ele, as exportações brasileiras aos Estados Unidos recuaram ao menor patamar desde 1997, com queda de 12,8% no comércio bilateral entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026. No mesmo intervalo, o comércio do Brasil com a União Europeia cresceu 6,1% e com a China avançou 15,9% — deslocamento de parceiros que o governo brasileiro usa como argumento de que a medida americana tende a se voltar contra quem a adotou.
Lula também lembrou que os Estados Unidos acumulam superávit comercial de US$ 428 bilhões com o Brasil ao longo de 15 anos consecutivos, número que, na avaliação dele, contradiz a tese de desequilíbrio usada para sustentar as tarifas. O presidente argumentou ainda que setores industriais americanos dependem de insumos brasileiros e que alimentos, calçados, têxteis, móveis e autopeças tendem a ficar mais caros para o consumidor dos EUA.
Resposta do governo e o que ficou de fora
O artigo rebate três justificativas apresentadas pelo lado americano. Sobre moderação de conteúdo, Lula afirmou que o país não vai abrir mão de proteger famílias de abusos das plataformas digitais. Sobre o Pix, disse que o sistema de pagamentos não discrimina empresas dos Estados Unidos. E sobre meio ambiente, citou a redução do desmatamento desde 2023.
O presidente criticou a tentativa de impor condicionantes ideológicos à relação bilateral com fins eleitorais e mencionou a declaração do secretário de Estado americano Marco Rubio de que o Brasil não seria um país amigo. No plano prático, o governo brasileiro prepara o acionamento da Lei da Reciprocidade e destinou R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para socorrer os setores exportadores mais atingidos.
O texto não menciona um dos episódios diplomáticos da semana: a negativa de vistos brasileiros a dois enviados do Departamento de Estado americano que pretendiam discutir o sistema eletrônico de votação antes das eleições de outubro. O artigo se concentra na disputa comercial e no argumento de soberania.
















