O Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, queda de 8% em relação ao ano anterior e o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012. Os dados estão no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 23 de julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), organização que reúne os números enviados pelas secretarias estaduais de segurança.

A taxa nacional caiu para 19,1 mortes violentas por 100 mil habitantes. Só os homicídios dolosos ficaram em 15,4 por 100 mil — abaixo da meta de 16 estabelecida para 2027. O recuo, porém, convive com dois indicadores que andaram na direção oposta e concentram o debate público desde a publicação do levantamento.

Recorde de feminicídios pelo quarto ano seguido

Foram 1.571 feminicídios em 2025, alta de 4,4% sobre os 1.504 casos de 2024 e o maior número desde 2015, quando o crime passou a ser tipificado de forma autônoma na legislação brasileira. A média é de 4,3 mulheres mortas por dia por razões de gênero. De todas as mulheres assassinadas no ano, 44,4% morreram nessa condição.

O recorte racial é acentuado: 65,1% das vítimas eram mulheres negras. A faixa etária de maior risco é a de 25 a 29 anos, e a maior parte das mortes ocorreu em contexto doméstico. Para cada feminicídio consumado, o anuário contabilizou cerca de três tentativas.

Os indicadores que antecedem o crime também subiram. As tentativas de feminicídio cresceram 6%; as lesões corporais por violência doméstica, 2,6%; os registros de violência psicológica, 17%; os casos de descumprimento de medida protetiva, também 17%; e as ocorrências de perseguição, 30%. Ameaças registradas aumentaram 0,5%.

Uma em cada seis mortes violentas é causada por policial

As mortes decorrentes de intervenção policial chegaram a 6.602 em 2025, alta de 5,4% sobre 2024. O número equivale a 16,2% de todas as mortes violentas intencionais do país — ou seja, uma a cada seis. É o indicador que mais puxa o total para cima num ano em que os homicídios caíram.

A concentração geográfica é expressiva. As dez cidades mais letais do país estão todas no Nordeste, e cinco delas ficam na Bahia, onde a ação policial responde por entre 35% e 45% dos homicídios em municípios como Eunápolis e Porto Seguro. Maranguape, no Ceará, lidera a lista com taxa de 100,3 mortes por 100 mil habitantes. O anuário associa boa parte dessas mortes à disputa entre facções por corredores do tráfico.

O quadro geral desenhado pelo levantamento é o de um país que reduz o número absoluto de assassinatos, mas mantém desigualdades raciais profundas na distribuição das vítimas e vê crescer justamente as mortes que dependem de política pública direta — a letalidade das forças de segurança e a violência contra mulheres dentro de casa.