A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros entrou em vigor no dia 22 de julho e passou a pressionar diretamente a pauta exportadora de Minas Gerais. Levantamento do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (CIN/Fiemg) aponta que os 15 principais produtos mineiros atingidos pela sobretaxa movimentaram cerca de US$ 234 milhões em vendas aos norte-americanos em 2025. Mercadorias já embarcadas antes da entrada em vigor tiveram período de transição até 29 de julho.
O valor é modesto diante do total exportado pelo estado, mas o problema está na concentração. Vários dos itens taxados são nichos em que Minas praticamente monopoliza a exportação brasileira: o estado responde por 99,98% das vendas externas de tijolos e placas refratárias com magnésio, 99,93% das obras com magnesita, dolomita ou cromita e 97,21% dos disjuntores de baixa tensão. Ou seja, quando o produto perde competitividade no mercado americano, não há outro estado para diluir o impacto — a conta fica inteira em Minas.
Entre os itens mais expostos em valor estão sebo bovino, ovino e caprino (US$ 33,96 milhões), disjuntores para baixa tensão (US$ 32,9 milhões), preparações capilares (US$ 22,25 milhões), pedras preciosas e semipreciosas trabalhadas (US$ 21,34 milhões) e obras com magnesita, dolomita ou cromita (US$ 19,15 milhões).
O que ficou de fora
A lista de exceções foi o que evitou um estrago maior. Café verde, ferro-gusa, ferronióbio, ferrossilício-manganês, ouro, carne bovina, celulose e mel natural ficaram fora da sobretaxa. Somados, os 15 principais produtos isentos representam cerca de US$ 3,3 bilhões em vendas aos Estados Unidos — mais de dez vezes o valor atingido pela tarifa.
A isenção do café é especialmente relevante para o estado, maior produtor e exportador do país. O ferro-gusa, apontado no início das negociações como um dos produtos mineiros mais vulneráveis, também escapou: em 2025, as exportações brasileiras do item superaram US$ 1 bilhão, com Minas respondendo por quase 73% desse total.
A medida americana tem origem em investigação do escritório de comércio dos Estados Unidos (USTR) sob a Seção 301 da legislação comercial do país. Uma sobretaxa adicional de 12,5%, anunciada em 24 de julho, pode se somar aos 25% em determinados produtos, elevando a alíquota a 37,5% — cenário que ampliaria o alcance da medida sobre a indústria brasileira.
Joias e rochas já sentem
Dois setores tradicionais de Minas entraram na lista taxada em situação já fragilizada. No segmento de joias e gemas, que emprega cerca de 170 mil pessoas no país, os Estados Unidos respondem por algo entre 30% e 35% das exportações. O setor vinha de uma retração de aproximadamente 20% em 2025, quando as vendas externas recuaram de US$ 90 milhões para US$ 70 milhões.
Nas rochas ornamentais, metade do que o Brasil exporta vai para o mercado americano. Mármore e granito — que representam cerca de 65% das importações americanas do segmento — foram taxados, enquanto o quartzito, responsável por cerca de 70% do volume brasileiro exportado, ficou de fora.
A Fiemg tem defendido publicamente a intensificação das negociações diplomáticas e uma atuação técnica e coordenada do governo brasileiro, com foco em previsibilidade de regras para preservar contratos e mercados estratégicos. No plano federal, o governo estuda acionar a Organização Mundial do Comércio e aplicar medidas de reciprocidade previstas na legislação brasileira.















