O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato do partido à Presidência em 2026, negociou R$ 134 milhões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", biografia do pai, Jair Bolsonaro. Vorcaro está preso desde novembro por lavagem de dinheiro no escândalo do Banco Master, que causou rombo recorde de R$ 41 bilhões.

Mensagens mostram proximidade entre os dois

As negociações ocorreram por mensagens em que Vorcaro chamava o senador de "irmãozão" e Flávio respondia "irmão" e "mermão".

Registros telefônicos mostram ao menos 5 ligações entre os dois em setembro de 2025, somando mais de 6 minutos, em datas descritas como críticas para movimentações de recursos do banco.

O rombo do Banco Master

O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente em 18 de novembro de 2025, e Vorcaro foi preso por lavagem de dinheiro na primeira fase da operação Compliance Zero, que prendeu sete pessoas, entre elas o ex-CEO do banco, Augusto Ferreira Lima.

Solto dez dias depois por decisão do TRF-1, Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março deste ano, na terceira fase da operação. A investigação apura fraude bilionária pela venda de títulos de crédito falsos.

O prejuízo ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) chega a R$ 41 bilhões, a maior perda da história do fundo.

Questionado sobre o caso nesta quinta (20), em ato de campanha no Mercadão de São Miguel, na zona leste de São Paulo, Flávio disse que a prestação de contas do filme "foi vazada do processo que responderam e viram que estava tudo certinho".

"Quem tem que prestar conta é o Lula, não sou eu", declarou o senador, citando encontros do presidente com banqueiros e alegando promessas de troca na presidência do Banco Central.

Nas fontes consultadas para esta reportagem, não há nenhum indício de que Lula tenha relação com o caso Master ou tenha negociado com Vorcaro mudanças na presidência do Banco Central. A alegação é do próprio Flávio.

Flávio recebeu o aval do pai e a indicação oficial do PL para concorrer à Presidência em 2026, confirmada pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto.

O dinheiro por trás do filme que promove essa candidatura veio de um dos nomes do maior rombo bancário do país.