O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou neste domingo (26), em seu perfil no Instagram, o jingle da campanha à reeleição. A música é uma adaptação de "Rap do Silva", do MC Bob Rum, clássico do funk carioca lançado em 1995 e um dos maiores sucessos do gênero na década.

A letra reaproveita a estrutura e alguns versos do original para costurar a biografia do candidato à história de um brasileiro comum. O jingle descreve Lula como "brasileiro, trabalhador e família", narra a saída do sertão nordestino rumo a São Paulo, a atuação no movimento sindical e a chegada à Presidência da República. Também cita programas de habitação, alimentação e emprego e menciona as tentativas de "derrubá-lo e silenciá-lo".

A virada está no refrão. No original, Bob Rum canta "era só mais um Silva que a estrela não brilha; ele era funkeiro, mas era pai de família" — verso sobre a invisibilidade das vítimas de violência nas periferias, em que o sobrenome Silva funciona como símbolo do anonimato de milhares de brasileiros. A versão de campanha inverte a frase: "É o Lula da Silva, é a estrela que brilha".

Por que o 'Rap do Silva'

Lançada na coletânea Rap Brasil Vol. 2, em 1995, e consolidada no disco Está Escrito, no ano seguinte, a música de Moysés Osmar da Silva, o MC Bob Rum, tornou-se um marco do funk carioca por tratar de estigma, violência policial e cotidiano das comunidades num momento em que o gênero era criminalizado. Trinta anos depois, segue como referência cultural reconhecível por várias gerações.

A escolha, portanto, não é apenas musical. Ao se apropriar de um hino associado ao trabalhador periférico, a campanha busca reforçar o vínculo do presidente com o eleitorado de menor renda — a mesma chave simbólica que o marketing petista explorou em outros ciclos, como no "faz o L" de 2022. O sobrenome compartilhado com o personagem da canção facilita a operação.

Corrida presidencial ganha ritmo

O lançamento acontece em plena temporada de convenções partidárias, que nos últimos dias oficializaram nomes de diferentes campos para a disputa presidencial de outubro. Jingles e peças de campanha costumam ser testados nesse período, antes do início da propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV.

A adaptação de músicas populares em campanhas é prática antiga na política brasileira, mas exige autorização dos detentores dos direitos autorais — ponto que costuma render disputas quando artistas discordam do uso de suas obras. Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública de MC Bob Rum sobre a versão divulgada pela campanha.