O Ministério da Saúde enviou a estados e municípios, em 22 de julho, uma nota técnica alertando para a possibilidade de aumento significativo dos casos de dengue, chikungunya e outras arboviroses na temporada 2026/2027. O gatilho é climático: o retorno do fenômeno El Niño, que eleva temperaturas e desorganiza o regime de chuvas, criando condições favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti.
A projeção citada pela pasta, elaborada pelo InfoDengue/Fiocruz, indica que o Brasil pode registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027. O próprio ministério faz a ressalva de que se trata de estimativa epidemiológica construída a partir de cenários climáticos, sujeita a revisão à medida que novos dados meteorológicos e epidemiológicos forem incorporados.
Chuva demais e chuva de menos alimentam o mesmo mosquito
O documento chama atenção para um ponto pouco intuitivo: tanto o excesso quanto a falta de chuva ampliam o risco. Em regiões que recebem volumes intensos de água, aumentam os criadouros a céu aberto; em áreas de estiagem, o armazenamento inadequado de água dentro das casas — caixas destampadas, baldes, tambores — cumpre o mesmo papel. Em ambos os cenários, o calor acelera o ciclo de vida do Aedes e encurta o intervalo entre gerações do mosquito.
Entre as recomendações aos gestores estão intensificar a vigilância, executar bloqueio de transmissão logo após a identificação dos primeiros casos, reorganizar o trabalho dos agentes de combate a endemias e adotar as tecnologias de controle vetorial indicadas pelo ministério. À população, a orientação é eliminar criadouros nas residências e procurar atendimento médico assim que surgirem os sintomas, sem esperar o quadro se agravar.
Em Minas, a conta de 2026 ainda está aberta
O alerta chega a Minas Gerais em um ano que já é pesado. Segundo o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde divulgado em 20 de julho, o estado acumula 63.703 casos prováveis de dengue em 2026, dos quais 42.091 confirmados, com 40 óbitos confirmados e outras 38 mortes ainda em investigação. A chikungunya, que costuma ficar à sombra da dengue no noticiário, soma 14.881 casos prováveis, 12.483 confirmados e quatro mortes confirmadas no estado. A zika aparece com 36 casos prováveis e 11 confirmados, sem óbitos.
Como a transmissão das arboviroses tem pico entre o fim do verão e o outono, o período de menor circulação do mosquito — justamente agora, no inverno — é a janela em que estados e municípios conseguem agir sobre criadouros antes que a curva suba. É esse calendário que explica a antecedência do alerta federal: a nota mira uma temporada que só começa a se manifestar em números daqui a alguns meses.
















