O Partido Liberal oficializou o senador Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República nas eleições de outubro. A decisão foi tomada em convenção nacional realizada no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo, que reuniu milhares de apoiadores e dirigentes do partido de todo o país. O encontro, porém, terminou sem a definição de um ponto central da candidatura: o nome do candidato a vice-presidente.
A convenção também aprovou as candidaturas do PL aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados e às assembleias legislativas. É a primeira vez que Flávio disputa uma eleição presidencial. Advogado com especialização em ciência política, ele foi deputado estadual no Rio de Janeiro até 2018, quando se elegeu senador com mais de quatro milhões de votos.
A escolha do senador consolida a tentativa do PL de transferir ao filho mais velho o capital eleitoral de Jair Bolsonaro, que está inelegível e cumpre pena após a condenação por tentativa de golpe de Estado. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, abriu o evento afirmando que o ex-presidente foi decisivo para o crescimento da legenda e que ele próprio indicou o filho para encabeçar o projeto eleitoral. Ao encerrar a convenção, Flávio disse que dá continuidade ao legado do pai na condição de filho mais velho.
Chapa incompleta a poucas semanas do registro
A ausência de vice é o principal ponto em aberto. Pela legislação eleitoral, as chapas precisam estar completas no momento do registro das candidaturas na Justiça Eleitoral, etapa que ocorre em agosto, logo depois do período de convenções partidárias. O espaço vago é disputado por siglas do centro e da direita que negociam apoio ao PL em troca de tempo de televisão, recursos de campanha e palanques estaduais.
A indefinição também mantém aberto o debate interno sobre quem lidera a oposição. O nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, circulou por meses como alternativa ao sobrenome Bolsonaro, e governadores como Ronaldo Caiado, de Goiás, e Romeu Zema, de Minas Gerais, seguem sendo testados em pesquisas como nomes do mesmo campo político.
No palco, foram exibidos vídeos gravados por Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que não compareceu ao evento. Também discursaram a esposa do candidato, a cirurgiã-dentista Fernanda Bolsonaro, e o presidente da Argentina, Javier Milei, cuja fala provocou repercussão diplomática nos dias seguintes.
O que dizem as pesquisas
Levantamento do Datafolha divulgado na sexta-feira (24), contratado pelo Grupo Folha da Manhã e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01166/2026, ouviu 2.004 eleitores entre 22 e 24 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.
Na pesquisa espontânea, em que o entrevistado responde sem lista de nomes, o presidente Lula aparece com 30% e Flávio Bolsonaro com 17%; outros 37% não souberam responder. No cenário estimulado de primeiro turno, Lula tem 40% contra 32% do senador. Em simulação de segundo turno entre os dois, o petista marca 48% e Flávio, 43% — a menor diferença registrada até agora em confronto direto. Contra Caiado, Lula aparece com 47% a 40%; contra Zema, com 48% a 40%.
O calendário eleitoral segue com a convenção do PT marcada para 2 de agosto, em São Paulo, quando o partido deve confirmar Lula na disputa pela reeleição, com o vice-presidente Geraldo Alckmin novamente na chapa. O primeiro turno das eleições gerais está marcado para outubro.
















