O PSD oficializou neste domingo (26), em convenção nacional realizada em São Paulo, a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência da República. O partido optou pela chamada chapa pura: o vice será o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. É a primeira vez que o PSD, criado em 2011 e hoje uma das maiores bancadas da Câmara, disputa o Planalto com um nome próprio em vez de compor com terceiros.

Caiado se apresentou como alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), oficializado candidato pelo PL dias antes. No discurso, disse que o país não pode escolher "os maiores rejeitados" e afirmou que sua candidatura existe para "libertar o país do sequestro do PT e das facções".

Segurança pública como eixo da campanha

O programa apresentado na convenção girou quase inteiramente em torno de segurança pública, tema que Caiado explorou nos dois mandatos à frente do governo goiano. Ele prometeu ampliar o uso de tornozeleiras eletrônicas, endurecer penas para condenados por estupro, pedofilia e corrupção, aumentar as prisões por violência doméstica e destinar às vítimas os bens confiscados de condenados por crimes contra a mulher. "Vou meter tornozeleira, algema nesses covardes", afirmou. O agronegócio, base histórica de sustentação do ex-governador, foi o segundo eixo das propostas.

A escolha de Kassab como vice reforça o caráter de chapa própria e dá ao candidato o comando integral da estrutura partidária — trunfo relevante em uma disputa em que tempo de televisão e capilaridade municipal costumam pesar mais do que a intenção de voto medida meses antes da eleição.

Três candidaturas dividindo o mesmo eleitorado

A oficialização de Caiado fecha o desenho da centro-direita para 2026, e o resultado é um campo fragmentado. Além dele, disputam o mesmo espaço Flávio Bolsonaro, lançado pelo PL, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, oficializado candidato pelo Novo. Os três chegaram a se reunir em Belo Horizonte no início de junho e declararam, na ocasião, a intenção de estar "os três juntos no segundo turno contra o PT" — cenário aritmeticamente impossível, já que apenas dois nomes avançam.

O levantamento Genial/Quaest de julho ajuda a explicar por que nenhum deles recuou até agora. Caiado é desconhecido por 44% dos entrevistados e Zema, por 40% — margem de crescimento que os dois usam como argumento para permanecer na disputa. Em rejeição, o quadro se inverte a favor dos dois governadores: 32% para Caiado e 29% para Zema, contra 53% de Lula e 56% de Flávio Bolsonaro.

Para Minas Gerais, a fragmentação tem efeito direto. Zema é o único mineiro na disputa presidencial e depende de consolidar o eleitorado de centro-direita do estado, justamente a faixa que Caiado passa a cortejar com estrutura nacional e tempo de TV do PSD. O prazo legal para o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral vai até 15 de agosto, janela em que ainda são possíveis desistências e composições entre os partidos.