O Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, foram declarados Patrimônio Mundial pela Unesco nesta segunda-feira (27). A decisão foi tomada pelo Comitê do Patrimônio Mundial, reunido em Busan, na Coreia do Sul, que aprovou a candidatura conjunta apresentada pelo Brasil sob o nome Teatros da Amazônia.

São os primeiros bens culturais da região Norte a entrar na Lista do Patrimônio Mundial. Com a inscrição, o Brasil passa a somar 26 sítios reconhecidos pela organização — 16 culturais, 9 naturais e 1 misto —, ao lado de nomes como o Plano Piloto de Brasília, o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, e os centros históricos de Olinda e Salvador.

A candidatura não se limitou aos dois edifícios: a área protegida abrange também o Largo de São Sebastião, no entorno do teatro manauara, e a Praça da República, diante do Theatro da Paz. Os dois conjuntos são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1960, e o dossiê da candidatura foi conduzido pelo instituto em articulação com os governos do Amazonas e do Pará e com os ministérios da Cultura e das Relações Exteriores.

Herança do ciclo da borracha

Os dois teatros nasceram do auge econômico do látex amazônico, entre 1879 e 1912, quando Manaus e Belém concentraram uma riqueza que financiou obras de porte europeu no meio da floresta. O Theatro da Paz, inaugurado em 1878, é uma das mais importantes construções neoclássicas do país e um dos maiores símbolos de Belém. O Teatro Amazonas, aberto em 1896, ficou conhecido pela cúpula revestida com cerca de 36 mil peças de cerâmica esmaltada nas cores da bandeira brasileira.

O argumento central do dossiê brasileiro é justamente o encontro entre o material importado e o elemento da floresta: mármore, ferro e cristal vindos da Europa combinados a madeiras e referências amazônicas, resultando numa estética ao mesmo tempo cosmopolita e regional. Os palcos receberam companhias líricas europeias, mas também abrigaram expressões locais e, mais tarde, do jazz ao repertório popular.

O que muda com o título

O reconhecimento não transfere a gestão dos prédios para a Unesco — a responsabilidade pela conservação segue com Iphan, estados e municípios, agora sob monitoramento internacional e com a exigência de manter em execução um plano de preservação. Na prática, o principal efeito esperado é de projeção: o selo costuma ampliar o fluxo turístico e abrir portas a linhas de financiamento e cooperação para restauro.

A 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial acontece entre 20 e 29 de julho em Busan e analisa 30 novas candidaturas à lista, além de avaliar o estado de conservação de sítios já inscritos. Até esta segunda, o Brasil não tinha nenhum bem cultural amazônico com o título — a região aparecia na lista apenas por seus sítios naturais.