As quatro pesquisas de intenção de voto divulgadas em julho de 2026 concordam num ponto central: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) em todos os cenários testados, tanto no primeiro quanto no segundo turno. A eleição presidencial está marcada para outubro.

Onde os institutos divergem é no tamanho dessa vantagem — e é essa distância que ajuda a ler o momento da corrida. No primeiro turno, a diferença medida entre os dois vai de 6 pontos percentuais, na pesquisa BTG/Nexus, a 12 pontos, na Genial/Quaest.

O que cada instituto encontrou

Na Genial/Quaest, divulgada em 15 de julho, Lula tem 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 28% de Flávio Bolsonaro. O instituto ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho; a margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de confiança. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07181/2026.

Na BTG/Nexus, com entrevistas feitas por telefone entre 10 e 12 de julho, Lula aparece com 40% e Flávio com 34% — a menor distância entre as quatro. Foram 2.003 eleitores ouvidos, com margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de confiança. O levantamento foi contratado pelo BTG Pactual e registrado no TSE sob o protocolo BR-07981/2026.

A AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, registrou a maior pontuação para os dois nomes no começo do mês: 46,3% para Lula e 36,6% para Flávio no primeiro turno. No segundo turno simulado, a vantagem do presidente foi de quase 7 pontos: 48,8% a 42,3%.

Já a Meio/Ideia apontou 40,4% para Lula e 32% para Flávio no primeiro turno, com o segundo turno em 45% a 40%.

Por que os números não batem exatamente

Diferenças desse tipo entre institutos são esperadas e não significam, por si só, que uma pesquisa esteja "certa" e outra "errada". Elas costumam refletir escolhas de metodologia — entrevista por telefone, on-line ou presencial —, o período exato de campo e a forma como cada instituto trata os indecisos e distribui os votos brancos e nulos.

Um ponto merece atenção do leitor: a AtlasIntel trabalha com percentuais mais altos para os dois candidatos porque distribui de forma diferente quem ainda não sabe em quem votar. Por isso, comparar a distância entre os candidatos dentro de cada pesquisa costuma dizer mais do que comparar o número isolado de um instituto com o de outro.

Segundo turno mais apertado

Nos cenários de segundo turno, a vantagem de Lula aparece menor em parte dos levantamentos. A BTG/Nexus chegou a medir 47% a 44% — diferença de 3 pontos que, considerada a margem de erro, aproxima os dois de um empate técnico. Na Quaest, o segundo turno ficou em 45% a 37%; na Meio/Ideia, 45% a 40%.

O que ainda pode mudar

As pesquisas de julho são uma fotografia do momento, a três meses da eleição, e não uma previsão de resultado. O cenário ainda depende da definição final das candidaturas, do desempenho dos nomes na propaganda eleitoral e da consolidação do voto que hoje está dividido entre indecisos e candidaturas menores. Novos levantamentos ao longo de agosto e setembro tendem a mostrar se a distância medida agora se mantém, aumenta ou encolhe.