Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, começou a semana ainda sem se recuperar do vendaval que atingiu a cidade na madrugada da última sexta-feira (24). Nesta segunda-feira (27), cerca de 24 mil clientes seguiam sem energia elétrica no município, segundo a CPFL Paulista, e 26 escolas municipais não abriram as portas, deixando aproximadamente 5 mil alunos sem aula.

O temporal deixou um morto — um idoso de 90 anos — e 22 feridos, conforme balanço apresentado pelo governo estadual e pela prefeitura. No pico da ocorrência, mais de 338 mil unidades consumidoras ficaram sem luz na região. Somando os municípios vizinhos, ainda havia pouco mais de 44 mil clientes no escuro no início desta semana: Guariba concentrava 16 mil, Taquaritinga 4,8 mil, Pradópolis mil e Dumont 700.

Rede elétrica precisou ser reconstruída

O problema deixou de ser religar clientes e passou a ser levantar a rede do zero. A CPFL informou que a operação está concentrada na recuperação de 54 torres de transmissão e na substituição de mais de 250 postes derrubados pelo vento. A distribuidora afirmou trabalhar para concluir o restabelecimento antes do prazo inicialmente projetado. A prefeitura calculava, no domingo, 97% do fornecimento normalizado e 87% dos semáforos em operação.

A intensidade do vento tem medições divergentes. A estação do Instituto Agronômico (IAC) registrou rajadas de 160 km/h, número citado pelo governador Tarcísio de Freitas ao visitar a região no domingo (26); outros registros oficiais apontaram picos em torno de 121 km/h. "Tínhamos previsto a chuva e emitido alerta, mas ainda temos dificuldade de prever vento. A previsão era de 50 a 60 km/h, não de 150 a 160 km/h", afirmou o governador. A Defesa Civil havia divulgado aviso por volta das 5h30 daquela sexta, alertando para descargas elétricas, ventos fortes e chuva.

Saúde, escolas e lavouras atingidas

O estrago se espalhou por serviços essenciais. Das 48 unidades básicas de saúde da cidade, 29 tiveram algum dano e quatro seguiam fechadas; no Hospital das Clínicas, o teto da ala de urgência e emergência cedeu, impedindo a recepção de novos pacientes nas horas seguintes ao temporal. Entre as 146 escolas municipais, 41 foram danificadas — os prazos de reparo vão de uma semana a 120 dias, conforme a gravidade.

A prefeitura contabilizou 12 pessoas em abrigos e 1.806 desalojados, que passaram a se hospedar com parentes e amigos, e decretou situação de emergência por 180 dias. Mais de 200 árvores caíram sobre vias e veículos, e os bombeiros receberam centenas de chamados nas primeiras horas.

No campo, a região — uma das mais ricas do agronegócio paulista — perdeu estruturas de armazenagem de amendoim, teve estufas destruídas, canaviais tombados e pomares danificados. O governo estadual anunciou o envio de ajuda humanitária (colchões, cobertores, água, telhas e lonas), geradores e equipes de Defesa Civil, além da liberação de recursos do Feap, fundo de apoio à agropecuária paulista, para os produtores atingidos.