O Novo realizou nesta segunda-feira (27), em Brasília, a convenção nacional que oficializou o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema como candidato à Presidência da República nas eleições de outubro. O encontro foi marcado para as 11h30 no auditório do Edifício Íon, em formato híbrido: o presidente nacional da legenda, Eduardo Ribeiro, participou presencialmente, e outros dirigentes acompanharam de forma remota.

A convenção não definiu o candidato a vice. A expectativa dentro do partido é fechar a chapa nos próximos dias, respeitando o prazo da Justiça Eleitoral, que vai até 5 de agosto para o registro das candidaturas. O nome mais comentado é o do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, nascido no norte de Minas.

No sábado (25), durante agenda no Rio Grande do Sul, Zema disse que pretende se encontrar com Barbosa e o elogiou publicamente. "É uma pessoa que eu admiro muito", afirmou, citando o trabalho do ex-magistrado no combate à corrupção. Barbosa integrou o STF de 2003 a 2014 e presidiu a Corte entre 2012 e 2014, período em que conduziu o julgamento do mensalão. Neste ano, ele chegou a ser lançado pré-candidato à Presidência pelo Democracia Cristã, mas desistiu da disputa alegando falta de estrutura para uma campanha nacional.

Zema deixou o governo de Minas em março

Zema renunciou ao governo de Minas Gerais em 22 de março, dias antes do prazo legal de desincompatibilização, fixado em 4 de abril, para poder disputar o Planalto. O vice, Mateus Simões, assumiu o comando do estado e deve permanecer no cargo até o fim do mandato, em dezembro.

A pré-candidatura foi anunciada ainda em agosto de 2025, em evento dos dez anos do partido. Desde então, o nome de Zema chegou a ser ventilado como vice em chapas de outros nomes do campo da direita, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), hipóteses descartadas ao longo do processo. Para a direção do Novo, ter candidato próprio ao Planalto é peça central da estratégia da legenda, por puxar votos nas disputas proporcionais.

Em discurso na convenção estadual do partido no Rio Grande do Sul, Zema resumiu a plataforma de campanha em duas frentes: "Vamos dar um choque contra os gastos do Lula e do PT, e vamos dar um choque contra os bandidos e as facções criminosas".

O que dizem as pesquisas

O ex-governador ainda parte de uma base eleitoral pequena. No Datafolha divulgado em 24 de julho, contratado pelo Grupo Folha e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01166/2026, Zema aparece com 3% no cenário estimulado de primeiro turno. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 22 e 24 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Em simulação de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o petista aparece com 48% e Zema com 40%.

Já a pesquisa Genial/Quaest, feita entre 10 e 13 de julho com 2.004 entrevistados, contratada pelo Banco Genial S.A. e registrada no TSE sob o número BR-07181/2026, aponta 2% para Zema no primeiro turno estimulado. A margem de erro também é de dois pontos percentuais, com 95% de nível de confiança. Em segundo turno, o cenário é de 45% para Lula contra 35% para o candidato do Novo. O mesmo levantamento mostra que metade dos entrevistados diz não conhecer Zema — o espaço de crescimento que a campanha pretende explorar a partir do horário eleitoral gratuito.