O Exame Nacional do Ensino Médio de 2026 terminou o período de inscrições com 5.055.818 candidatos confirmados, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). É o maior contingente desde 2022 e representa alta de 5,08% sobre a edição de 2025, quando o exame reuniu 4.811.338 inscritos.

As provas estão marcadas para os domingos 8 e 15 de novembro, em todos os estados e no Distrito Federal. O exame segue como a principal porta de entrada no ensino superior brasileiro, alimentando a seleção do Sisu nas universidades públicas, do Prouni nas particulares e do Fies.

O que mudou e explica o avanço

A principal novidade da edição é a inscrição automática dos concluintes do ensino médio da rede pública, aplicada pela primeira vez neste ano. Em vez de preencher o cadastro do zero, esses estudantes tiveram os dados pré-carregados na Página do Participante e precisaram apenas confirmar as informações, escolher o município de prova e optar entre inglês e espanhol como língua estrangeira — além de solicitar, quando necessário, atendimento especializado ou tratamento pelo nome social.

Outra alavanca foi financeira. Estudantes beneficiários do Pé-de-Meia, programa federal de poupança para alunos do ensino médio público, ficaram isentos da taxa de inscrição. Quem cursa o terceiro ano, comparece aos dois dias de prova e conclui a etapa em 2026 recebe ainda um incentivo extra de R$ 200, em parcela única, depositado no primeiro trimestre de 2027 na mesma conta usada para as demais parcelas do programa.

O MEC também ampliou a malha de aplicação: 95 municípios passam a receber provas pela primeira vez, o que encurta o deslocamento de candidatos do interior. A previsão é usar cerca de 10 mil escolas como locais de aplicação, com aproximadamente 80% dos concluintes da rede pública fazendo o exame na própria unidade em que estudam — medida que ataca uma das causas históricas de abstenção, o custo e a distância do trajeto até o local de prova.

Acessibilidade e o retrato em Minas

O atendimento especializado foi mantido e detalhado para candidatos com baixa visão, cegueira, visão monocular, deficiência física, auditiva ou intelectual, dislexia, TDAH, transtorno do espectro autista, ansiedade e fibromialgia, entre outras condições, além de gestantes, lactantes, idosos e estudantes hospitalizados. O prazo de recurso para esses pedidos se encerrou em 3 de julho, com resultado publicado em 10 de julho.

Em Minas Gerais, a preparação para o exame virou política de rede. O Simulado Enem MG, aplicado pela Secretaria de Estado de Educação aos alunos de 2º e 3º anos do ensino médio estadual, registrou 353.902 participantes, o equivalente a 90,21% do público-alvo — recorde de adesão do programa, usado pelo estado para diagnosticar defasagens antes de novembro.

Apesar do avanço, o número de 2026 ainda está longe do pico histórico do exame: em 2014, o Enem chegou a 8.722.290 inscritos. A recuperação em curso devolve ao exame parte do público perdido nos anos seguintes, mas o patamar atual equivale a pouco mais da metade daquele recorde.