O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a inteligência artificial pode afetar 40% dos empregos no mundo, com impacto de até 60% nas economias avançadas, segundo a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, em discurso nas reuniões anuais da instituição, em Bangkok.

O alerta foi feito nesta segunda-feira (12), durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial na capital tailandesa. Para Georgieva, a IA pode aumentar a produtividade em algumas funções e eliminar outras.

IA, ame-a ou odeie-a. Ela já está aqui.

afirmou a diretora-geral do FMI, que descreveu o impacto da tecnologia sobre o emprego como um "tsunami de movimento lento". Para ela, a mudança vai afetar a forma como as pessoas trabalham e vivem.

O que o FMI prevê para a economia mundial

Na terça-feira (13), o FMI projetou crescimento global de 3,1% para 2026. Georgieva disse que os investimentos em IA ajudam a sustentar a economia mundial mesmo diante das dificuldades no fornecimento de energia.

Segundo ela, o aumento dos investimentos em IA pode impulsionar o crescimento das economias asiáticas avançadas em até 1 ponto percentual, e das economias emergentes da região, em até 0,8 ponto.

O impacto já medido entre os jovens brasileiros

No Brasil, jovens de 18 a 29 anos em profissões expostas à IA têm 5% menos chances de estar empregados e sofrem queda salarial de cerca de 7%, segundo estudo da FGV Ibre assinado pelo pesquisador Daniel Duque.

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O estudo usou dados da Pnad Contínua, do IBGE, comparando grupos de trabalhadores em 2022, antes do lançamento do ChatGPT, e em 2025.

Cerca de 30 milhões de trabalhadores brasileiros estão em ocupações com algum nível de exposição à IA generativa, 29,6% da população ocupada; 5,2 milhões estão no nível mais alto de exposição. O estudo já havia mapeado quais empregos a IA mais ameaça no país.

A IA começa pelas tarefas de entrada, o primeiro emprego de quem é jovem. Para Duque, trabalhadores mais velhos em geral tomam decisões, e não fazem tarefas básicas ou burocráticas. "Tomar decisões não é algo que se vê, ainda, na IA", disse o pesquisador.

A pressão já muda planos de carreira: quase metade da Geração Z brasileira passou a considerar um ofício técnico em vez da faculdade, por causa da IA.

Levantamento do instituto Gallup mostra que, por enquanto, a IA no trabalho beneficia mais quem já tem um emprego melhor, não quem está em busca de uma vaga. O FMI não detalhou como os governos devem se preparar para a mudança.