Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fizeram atos de campanha neste sábado (22) em pontos opostos do Rio de Janeiro, os dois com discurso central sobre segurança pública. Lula falou no Estádio Moça Bonita, em Bangu, na zona oeste, enquanto Flávio se apresentou no Ginásio do Maracanãzinho.
Lula defendeu o envio ao Congresso da PEC da Segurança Pública, que cria o Ministério da Segurança Pública e amplia os poderes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.
"Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar 100 ou 200, não! Vamos prender", disse o presidente a apoiadores.
A fala é lida como referência indireta à Operação Contenção, deflagrada nos complexos do Alemão e da Penha em 28 de outubro de 2025, que deixou 121 mortos e é a operação policial mais letal da história do Rio.
Lula não citou o episódio nominalmente, mas repetiu que o governo federal vai atuar sem "ações de caráter espetacular".
Acompanharam Lula em Bangu o candidato do PSD ao governo do Rio, Eduardo Paes, e a primeira-dama Janja da Silva. O presidente também comentou a relação com os Estados Unidos, dizendo que outros países "não se metam com a gente".
No Maracanãzinho, Flávio Bolsonaro propôs classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas e prometeu endurecer o combate ao recrutamento de crianças por facções.
"Esses caras vão mofar na cadeia ou, se enfrentarem, vão ser neutralizados", afirmou o senador.
Em outro trecho do discurso, Flávio disse: "O bandido vai ser tirado de circulação, em pé ou deitado". Estiveram no palco o candidato do PL ao governo do Rio, Douglas Ruas, e os candidatos ao Senado Carlos Portinho e Carlos Jordy.
Como está a PEC da Segurança no Congresso
A PEC da Segurança Pública foi aprovada pela Câmara dos Deputados em março deste ano e seguiu para o Senado.
Em 21 de agosto, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, despachou o texto para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sob relatoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE).
Por ser uma emenda constitucional, a proposta ainda precisa de aprovação na CCJ e, depois, em dois turnos no plenário do Senado, com quórum qualificado de três quintos dos votos.
Flávio também usou o ato para reafirmar propostas fora da segurança, como a manutenção do Bolsa Família e a criação do programa "Minha Primeira Empresa", voltado a pequenos empreendedores.
O que ainda depende do Senado
Parte do que qualquer um dos dois lados promete em segurança pública depende da PEC da Segurança, que segue na CCJ sem data marcada para ir ao plenário.
Enquanto o Senado não vota o texto, o desenho final do Ministério da Segurança Pública e do reforço federal prometido nas duas falas deste sábado permanece indefinido.



























