O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28) um acordo que dá aos EUA controle majoritário sobre 65 bilhões de barris de reservas de petróleo na Venezuela. A negociação prevê o arrendamento de 17 campos e deve ampliar a oferta global do produto, com efeito sobre o preço do combustível no Brasil.
Segundo a Reuters e o Washington Post, produtoras americanas assumiriam a operação de campos responsáveis por 1,25 milhão de barris por dia. No Truth Social, Trump chamou o negócio de "maior acordo petrolífero da história mundial".
O anúncio chega sete meses após uma operação militar americana capturar o então presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro. Desde então, Washington busca garantir o fluxo de petróleo bruto para suas refinarias.
Para o mercado brasileiro, o efeito mais direto é sobre o preço internacional do petróleo. Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), resume o que a queda esperada no petróleo representa para a estatal brasileira:
Para a Petrobras não é bom, porque perde receita
O barril tipo Brent, referência internacional, operava perto de US$ 60 nesta sexta, depois de recuar cerca de 15% em 2025.
A produção atual da Venezuela soma entre 800 mil e 900 mil barris diários, pouco diante dos quase 9 milhões da Arábia Saudita, maior produtor do mundo.
O que muda no preço da gasolina no Brasil
O repasse ao consumidor brasileiro não é automático. A Petrobras pratica paridade internacional de preços, o que tende a puxar o valor nas bombas para baixo se o barril cair.
Mas menor receita da Petrobras não significa, por si só, gasolina mais barata no posto, já que o petróleo mais caro hoje sustenta boa parte do lucro da companhia.
Carlos Honorato, economista e professor da FIA Business School, reconhece a incerteza sobre o repasse imediato. "Gostaria de falar diferente, mas é isso", resume.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, minimizou a expectativa de aumento rápido na produção venezuelana. Segundo ele, isso depende de investimento e não acontece "em 24 horas".
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O governo brasileiro já recorreu a medidas internas para conter o custo dos combustíveis. Em agosto, liberou R$ 3,15 bilhões em subsídio para segurar o preço da gasolina e do diesel.
A Petrobras vem de recorde de exportação de gás em Búzios e afirma que não tem operações na Venezuela.
Na mesma semana, a Justiça suspendeu a cobrança de um imposto sobre a exportação de petróleo no Brasil, no mesmo dia em que ele havia sido renovado.
O governo Lula mantém a defesa de solução diplomática para a crise venezuelana. Em janeiro, o presidente disse que a captura de Maduro ultrapassou "uma linha inaceitável".
O que acontece agora
O acordo ainda não foi assinado. Segundo a Reuters, a Casa Branca pretende formalizá-lo "em breve" e definir por leilão quais produtoras americanas vão operar cada um dos 17 campos.
Nos Estados Unidos, a pressão por preços de combustível mais baixos cresce às vésperas das eleições de meio de mandato, em novembro.


























