A guerra entre EUA, Israel e Irã completa seis meses nesta semana, e a conta já apareceu nos números: o petróleo Brent, que valia US$ 72,48 na véspera do conflito, chegou a bater US$ 120 no auge da tensão e fechou nesta segunda (31) em US$ 91,05, alta de 3,34% no dia.
O conflito começou em 2 de março, quando EUA e Israel atacaram o Irã, e o petróleo disparou 7,26% já no primeiro dia. Seis meses depois, o barril ainda custa cerca de 26% mais caro do que antes da guerra, mesmo longe do pico.
No Golfo Pérsico, o preço foi bem mais alto que o do combustível: as exportações da Arábia Saudita caíram 10% entre o primeiro e o segundo trimestre. A Oxford Economics estima que a economia do Catar deve encolher quase 30% neste ano.
As bolsas de Catar e Emirados Árabes Unidos caíram cerca de 14% cada uma, e em Dubai as vendas de imóveis despencaram entre 70% e 80%, segundo estimativa do JPMorgan.
O tráfego no Estreito de Ormuz também despencou. A rota, por onde passa boa parte do petróleo mundial, caiu de 84 navios por dia para apenas 5 em um único mês.
Por que as bolsas globais não sentiram o mesmo tranco
Enquanto o Golfo sofria, o resto do mercado financeiro manteve o ritmo. O índice MSCI, que reúne bolsas de 47 países, bateu recorde de US$ 105 bilhões em valor de mercado, alta de 9% desde o início da guerra, puxada pelos investimentos em inteligência artificial.
Os preços de alimentos não escaparam. Segundo a FAO, agência da ONU para alimentação e agricultura, eles chegaram em julho ao maior nível em mais de três anos.
O Brasil está nos dois lados dessa conta. Como o país virou exportador líquido de petróleo, o barril mais caro ajuda a engordar a balança comercial, com superávit projetado em quase US$ 100 bilhões em 2026.
Petróleo e soja são os dois produtos que isoladamente devem superar US$ 50 bilhões em exportações cada um neste ano, segundo as projeções do setor.
Do outro lado do balcão está o consumidor. Em março, logo após o início da guerra, o Ministério da Fazenda subiu a projeção de inflação para 2026 de 3,6% para 3,7%, citando o petróleo mais caro.
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A Petrobras também aumentou o diesel em R$ 0,38 por litro nas distribuidoras, choque que ajuda a explicar por que a Selic não sai do lugar, mesmo com a inflação sob controle em outras frentes.
O ponto em aberto
O Brasil ocupa uma posição rara nesta guerra: ganha na exportação e perde no posto de gasolina, com o mesmo barril de petróleo. Falta saber se esse equilíbrio resiste caso o conflito volte a escalar.
O que cede primeiro, a pressão sobre o preço dos combustíveis ou a receita bilionária das exportações, ainda não tem resposta clara.


























