A Petrobras começou a negociar contratos de exploração de quatro blocos de petróleo offshore na Bacia de Keta, em Gana, na costa oeste da África. O Ministério de Energia e Transição Verde do país aprovou nesta sexta-feira (21) o pedido de negociação apresentado pela estatal brasileira.

A iniciativa faz parte do Plano de Negócios da Petrobras para diversificar seu portfólio de exploração no Brasil e no exterior, buscando recompor reservas de óleo e gás em novas fronteiras.

A companhia já disse publicamente enxergar a África como sua principal fronteira de exploração fora do Brasil, dada a semelhança geológica entre as margens continentais dos dois lados do Atlântico.

Além de Gana, a Costa do Marfim ofereceu à Petrobras preferência para participar de 9 blocos exploratórios, e Nigéria, Angola e Namíbia também demonstraram interesse em parceria com a estatal.

A Petrobras já tem histórico recente no continente: comprou participação num campo de petróleo offshore na África do Sul em 2023 e adquiriu fatia em campos de São Tomé e Príncipe em 2024, com perfuração prevista para aquele mesmo ano.

Com a aprovação do pedido em Gana, a Petrobras passa agora para a fase de negociação direta dos termos do contrato de exploração com as autoridades do país. Não há prazo definido para a conclusão do acordo.

A conexão com o poço do Amapá

O avanço em Gana vem logo depois de a Petrobras anunciar, ainda em agosto, a identificação de hidrocarbonetos num poço exploratório no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial, ao largo do Amapá.

O poço fica em águas profundas, a 175 km da costa do Amapá e 500 km da foz do Amazonas. A licença de operação para perfurar o poço principal, batizado de Morpho, foi emitida pelo Ibama em outubro de 2025.

A licença contestada na Justiça

A autorização é contestada na Justiça. Oito organizações de movimentos indígenas, quilombolas e de pescadores artesanais entraram com ação na Justiça Federal do Pará contra a União, pedindo a suspensão da perfuração.

Elas alegam que o licenciamento do Ibama ignorou impactos climáticos e colocou em risco a biodiversidade da região.

Em fevereiro, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Ibama a suspensão do licenciamento. Em maio, o órgão acionou o Tribunal Regional Federal para tentar suspender a licença ambiental.