O Brasil vendeu US$ 3,19 bilhões aos Estados Unidos em agosto, alta de 12,1% sobre agosto de 2025. Mesmo assim, fechou o mês com déficit de US$ 824 milhões na relação bilateral, porque as importações vindas dos EUA cresceram junto. É o retrato de um tarifaço que não impede o comércio, mas corrói a margem de quem exporta.
Desde julho, os EUA cobram até 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros: 25 pontos por supostas práticas comerciais desleais e mais 12,5 por uso de trabalho forçado. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 23% de tudo que o Brasil manda aos EUA foi atingido pelas novas tarifas. No acumulado do ano, o saldo bilateral já está negativo em US$ 3,211 bilhões.
Quem perde e quem ganha com a tarifa
A carne bovina é o produto mais castigado: as vendas aos EUA caíram 19,7% em agosto ante o mesmo mês de 2025. Aço, madeira, sucos e derivados de origem animal também estão na lista dos mais afetados. Do outro lado, o setor tem um alívio parcial: desde 1º de setembro está aberta uma janela de 90 dias em que os EUA aceitam até 300 mil toneladas extras de carne bovina sem a tarifa de fora de cota, por causa do rebanho americano no menor nível em 75 anos. Segundo análise da consultoria Safras & Mercado, o Brasil pode capturar entre 90 mil e 120 mil toneladas dessa cota. A Abiec (associação das indústrias exportadoras de carne) diz que ainda não recebeu os critérios oficiais de distribuição.
Enquanto isso, a China virou a válvula de escape do comércio brasileiro. O país foi responsável por 31,6% de tudo que o Brasil exportou no primeiro semestre, com recorde de US$ 58,3 bilhões, puxado por soja, petróleo, minério de ferro e carne bovina. Em agosto, o superávit só com os chineses chegou a US$ 1,7 bilhão, mais que compensando o buraco aberto pelos americanos.
O que a TV Sim observa
O governo já chamou o tarifaço de discriminatório em reunião oficial com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, mas nenhuma das duas partes indicou um caminho de revisão. O que os números de agosto mostram é que o Brasil não parou de vender aos EUA, só passou a vender com menos vantagem, enquanto o grosso do crescimento das exportações do país migra para outros mercados. Se essa realocação é resposta direta ao tarifaço ou apenas coincide com ele, o MDIC ainda não decompôs esse número.



























