Os enviados dos Estados Unidos Jared Kushner e Steve Witkoff chegaram neste domingo (6) a Kiev, um dia depois de se reunirem por mais de três horas com o presidente russo Vladimir Putin em Moscou. É a primeira visita de uma delegação americana à capital ucraniana desde o início da guerra, em 2022.

Segundo Yuri Ushakov, assessor diplomático do Kremlin, os americanos apresentaram uma série de ideias sobre possíveis caminhos para um acordo, sem detalhar o conteúdo. Rússia e Ucrânia concordaram em não atacar suas respectivas capitais por três dias, durante as conversas.

"A Ucrânia sempre foi e continuará sendo construtiva", disse o presidente Volodymyr Zelensky, que confirmou não haver ataques a Moscou no período combinado. O plano que os enviados levaram a Moscou exige a redução pela metade do Exército ucraniano, segundo apuração anterior.

O Brasil tem seu próprio grupo de paz

Nenhuma fonte oficial dos EUA, da Rússia ou da Ucrânia mencionou o Brasil nesta rodada de conversas. O país mantém, porém, uma iniciativa paralela: o Grupo de Amigos da Paz, lançado com a China na ONU em setembro de 2024.

Além de Brasil e China, assinam o documento outros 11 países: África do Sul, Argélia, Bolívia, Cazaquistão, Colômbia, Egito, Indonésia, México, Quênia, Turquia e Zâmbia. Em julho, Lula e Xi Jinping reafirmaram por telefone que o grupo pode ter papel na retomada das negociações.

"Um grupo de amigos, de países amigos da paz. Não é 'amigos da Rússia', nem 'amigos da Ucrânia', só. É 'amigos da paz'", definiu Lula sobre a iniciativa.

O drinque que Lula sugeriu a Trump

Em 21 de agosto, num comício de campanha em Belo Horizonte, Lula contou ter sugerido a Trump, numa ligação de cerca de 1h30, promover um encontro informal com Xi Jinping e Putin em Mar-a-Lago, aproveitando a Assembleia Geral da ONU de setembro.

"Convida os caras para a tua casa, toma um trago, toma uma bebida, e vamos tentar encontrar um jeito de fazer paz", disse Lula à plateia, segundo o relato.

Na mesma ligação, Lula e Trump trataram das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, crime organizado e o Conselho de Segurança da ONU, segundo nota do Palácio do Planalto.

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O relato também entrou no discurso de campanha: no primeiro comício em Minas Gerais, Lula associou a capacidade de ligar direto para as grandes potências à ideia de soberania nacional.

O que a diplomacia paralela ainda não resolveu

O Brasil tem hoje duas frentes de atuação sobre a guerra: o Grupo de Amigos da Paz, formal e multilateral, e o canal informal aberto por Lula com Trump. Nenhuma apareceu nos relatos desta rodada de negociação entre Washington, Moscou e Kiev.

Isso não significa que o Brasil esteja fora do radar diplomático. Significa que, quando a guerra chega perto de uma definição prática, quem senta à mesa até agora são as partes em conflito e o mediador americano.