O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta segunda-feira (24), na abertura da Febraban Tech 2026, em São Paulo, que o Pix foi responsável por um processo de inclusão financeira muito relevante, em especial para a população de baixa renda. Na mesma fala, alertou que esse avanço veio acompanhado de mais endividamento.

Os números do lado da inclusão são grandes. O Pix já levou mais de 70 milhões de brasileiros para dentro do sistema financeiro desde o lançamento, em 2020, e se tornou o principal meio de pagamento do país, à frente de TED e boleto.

Só entre janeiro e maio de 2026, o sistema movimentou R$ 16,6 trilhões em transações, alta de 26,5% sobre o mesmo período de 2025. Em maio, foram mais de 200 milhões de transações por dia.

Quem paga a conta

O outro lado da inclusão é o crédito que vem junto. O crédito pessoal sem garantia somava R$ 275 bilhões em maio, dentro de uma carteira total de R$ 400 bilhões que crescia cerca de 20% ao ano até dezembro de 2024.

A diferença de juros é o que torna esse crédito perigoso: cerca de 27% ao ano com garantia, mais de 140% ao ano sem. É essa conta que preocupa o Banco Central.

No cartão de crédito, 96 milhões de brasileiros têm cartão, e 52,8 milhões carregam saldo no rotativo ou parcelado, comprometendo 54% da renda desse grupo. A taxa mensal do rotativo está em 15,1%.

Já o consignado privado saltou de R$ 41 bilhões para R$ 102 bilhões entre março de 2025 e maio de 2026, alta de 145%, com juros médios subindo de 40,9% para 57% e a inadimplência indo de 5% para 6,7%.

O que Galípolo disse

Para o presidente do BC, o ponto central é quando famílias se endividam para consumo passageiro e ficam mais expostas num ambiente de juros altos. Segundo ele, o Banco Central prepara novas medidas para conter o avanço do crédito de maior risco.

O ponto em aberto

Galípolo não detalhou o formato das novas medidas nem quando devem sair.

O histórico recente mostra o governo tentando conter o problema pelo lado da renegociação, com programas como o Desenrola. A pergunta que fica é se o BC vai agir na origem do crédito caro, e não só na renegociação de quem já está endividado.