O dólar comercial subiu a R$ 5,2131 nesta sexta-feira (28), alta de 0,90% no dia, após o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, dizer que a inflação nos Estados Unidos segue "mais preocupante" do que o esperado. Foi o primeiro grande discurso de Warsh como chairman do Fed no simpósio de Jackson Hole.

A moeda abriu o dia em R$ 5,1645 e foi às máximas por volta das 11h30. Segundo Warsh, a economia americana está em pleno emprego, mas a inflação deste verão segue "mais preocupante" do que o esperado.

"Embora melhores que o esperado, as leituras não dizem que as tendências subjacentes melhoraram de forma significativa", disse o chairman, que evitou sinalizar os próximos passos de juros.

Não devemos indulgenciar um regime em que os participantes do mercado olham primariamente para o Fed em busca do próximo movimento

A fala reforçou a leitura de que o Fed pode manter os juros altos por mais tempo. Hoje a taxa americana está entre 3,50% e 3,75% ao ano, contra uma Selic de 14% no Brasil.

Quando esse diferencial diminui ou fica mais incerto, o investidor estrangeiro tende a exigir prêmio maior para manter dinheiro em ativos brasileiros, o que pressiona o câmbio e encarece o crédito externo do país.

O efeito no bolso do brasileiro

Dólar mais caro encarece diretamente produtos importados, viagens ao exterior e insumos cotados em moeda estrangeira, como fertilizantes e combustíveis. A alta também pesa sobre a dívida pública, que já vinha subindo em julho.

O Banco Central trabalha com a prévia da inflação em queda desde agosto, mas o câmbio mais caro pesa contra essa trajetória e chega em momento delicado para o trabalhador: o país tem desemprego estável, mas com a renda perdendo força.

Antes da alta desta sexta, a moeda vinha de queda: fechou abaixo de R$ 5 em abril, o menor nível em mais de dois anos. O Boletim Focus projetava R$ 5,20 só para o fim de 2026.

O salto de agosto antecipa, em poucos meses, o patamar que o mercado só esperava para dezembro, sinal de que o cenário externo pode pesar sobre o câmbio brasileiro mais cedo do que o precificado.

O que acontece agora

O Banco Central acompanha o novo patamar do câmbio às vésperas da divulgação do Caged de julho, prevista para as 14h30 desta sexta. O mercado também vai medir se a fala de Warsh muda as apostas para a próxima reunião do Fed, em setembro.