A Magazine Luiza fechou parceria com o Mercado Livre para vender parte do estoque próprio dentro do marketplace do rival, com cerca de 27 mil produtos das marcas Magalu, KaBuM! e Época Cosméticos. O anúncio, feito na quarta-feira (2), fez as ações MGLU3 dispararem 16,9% na Bolsa no mesmo dia.
Segundo a Ativa Investimentos, o acordo beneficia as duas companhias. A Magalu ganha um canal de vendas com margens melhores do que as pagas em mídia paga para atrair clientes, e o Mercado Livre passa a oferecer produtos que não tinha em estoque próprio.
A logística das entregas fica a cargo da Magalog, braço logístico da varejista. Netshoes, outra marca do grupo, deve entrar na parceria em uma etapa seguinte.
Para a XP Investimentos, a aposta deve turbinar as vendas próprias da Magalu já no quarto trimestre, repetindo o que ocorreu quando a Casas Bahia adotou estratégia parecida.
A casa estima que cerca de 75% dos compradores do Mercado Livre são clientes novos para a Magalu, o que reduz o risco de a empresa apenas trocar vendas do próprio site pelas do concorrente.
Para o Mercado Livre, a XP considera o acordo "mais estratégico do que transformador", já que ele preenche lacunas de produto sem exigir novo investimento em logística.
O Bank of America foi além. Elevou a recomendação de MGLU3 diretamente de venda para compra, com preço-alvo de R$ 8, um salto raro em relatório de banco.
O entusiasmo do mercado contrasta com o balanço mais recente da companhia. No segundo trimestre de 2026, a Magalu teve prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões, quase o triplo dos R$ 24,4 milhões perdidos um ano antes.
A receita total caiu 2,6%, para R$ 8,9 bilhões, e as vendas totais recuaram 5,1%, para R$ 14,5 bilhões. As lojas físicas cresceram 10,3% no período, mas o comércio eletrônico encolheu cerca de 12%.
O Ebitda ajustado ficou em torno de R$ 709 milhões, com margem de 8%, descrita pela empresa como estável, enquanto a dívida líquida somava R$ 3,18 bilhões em 30 de junho.
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Na prática, o consumidor que compra no Mercado Livre passa a encontrar itens de eletrônicos e beleza que antes só estavam à venda no site da Magalu, da KaBuM! e da Época Cosméticos.
Não é a primeira vez que a Magalu abre o estoque a um concorrente direto. Em junho, a varejista já havia fechado parceria semelhante com a Amazon, passando a vender produtos próprios dentro do marketplace americano.
A pressão financeira sobre o setor é conhecida. Tok&Stok, Casas Bahia e a própria Magalu enfrentam o mesmo aperto dos juros altos sobre o varejo brasileiro nos últimos meses.
O Mercado Livre também expande a estrutura física. Um fundo imobiliário, o BTLG11, negocia comprar galpões avaliados em R$ 918,5 milhões usados por Amazon e Mercado Livre. A operação amplia a capacidade de armazenagem da plataforma, que passa a receber o estoque da Magalu.
O que acontece agora
As vendas pelo marketplace começam ainda em setembro, primeiro para os produtos de Magalu, KaBuM! e Época Cosméticos. A entrada da Netshoes na parceria ainda não tem data definida.
O mercado deve medir o efeito real do acordo nos resultados do quarto trimestre de 2026, quando a XP projeta o primeiro salto nas vendas próprias da varejista dentro do canal do concorrente.


























