O Rock in Rio chega neste domingo (6) ao terceiro dia de festival na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) projeta R$ 3,36 bilhões de impacto econômico na cidade em 2026, mas o ingresso mais caro do evento custa 120% do salário mínimo.
Segundo o levantamento da FGV, o valor é 5% maior que os R$ 3,2 bilhões movimentados na edição de 2024. O estudo calcula que, para cada R$ 1 investido na realização do festival, outros R$ 6,59 circulam na economia brasileira, do transporte à hotelaria.
A cadeia produtiva do evento deve gerar 33,9 mil postos de trabalho neste ano, sendo 22,8 mil diretos e 11,1 mil indiretos. A Cidade do Rock espera receber 700 mil pessoas ao longo dos sete dias de shows.
Neste domingo, terceiro dia do festival, o line-up levou Calvin Harris ao Palco Mundo como o primeiro DJ a fechar sozinho o palco principal.
A britânica Bring Me the Horizon estreou no festival na mesma noite.
No dia anterior, um ator da novela "Quem Ama Cuida" relatou um ataque homofóbico ao deixar o evento.
Quanto custa entrar na Cidade do Rock
O contraste aparece na ponta do consumidor. O ingresso mais caro, da categoria Comfort Zone, custa R$ 1.950, equivalente a 120% do salário mínimo de R$ 1.621. Quem recebe o piso nacional precisa de cerca de 36 dias de trabalho para pagar essa entrada.
A meia-entrada mais barata, na categoria Gramado, custa R$ 435, quase 27% do salário mínimo, ou 8 dias de trabalho. Um comparativo do Dieese-RJ com preços de julho mostra que esse valor equivale a 65,1 kg de feijão ou 8,2 kg de carne bovina.
O acesso ao festival não é o único ponto sensível na cadeia do Rock in Rio.
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Em 2024, o Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) resgatou 14 trabalhadores em condição análoga à escravidão durante a montagem da Cidade do Rock. Eram jornadas de até 21 horas, sem banheiro, chuveiro ou alimentação adequada, com gente dormindo sobre papelão.
Depois do caso, a organização passou a cumprir novas exigências em toda edição futura, como carteira assinada, controle de jornada e alojamento adequado. O descumprimento de qualquer item gera multa de R$ 50 mil por dia, além de penalização extra por trabalhador prejudicado.
O que vem nos próximos dias
O festival tem mais uma data neste bloco, nesta segunda-feira (7), antes de uma pausa e o retorno nos dias 11, 12 e 13 de setembro, sempre na Cidade do Rock, no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca.
Quem sustenta o festival e quem paga a conta
Os R$ 3,36 bilhões da FGV mostram o tamanho do Rock in Rio para a economia do Rio. Mas o festival que gera empregos por sete dias de shows só chegou a essas regras depois do resgate de 14 pessoas em condição análoga à escravidão.
E o ingresso mais barato ainda exige 8 dias de trabalho de quem ganha o piso nacional. O tamanho econômico do evento não resolve sozinho quem consegue pagar para entrar nem em que condição quem monta o palco trabalha.


























