Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entregaram ao TSE, em 7 e 13 de agosto, os planos que vão sustentar a campanha até outubro. Os documentos divergem da escala 6x1 às competências do STF, e chegam à reta final com Lula à frente nas duas pesquisas mais recentes.

Na economia, os planos partem de pontos opostos. Segundo o Poder360, Lula mantém o arcabouço fiscal e defende ampliar o investimento público, enquanto Flávio propõe cortar ao menos 10 ministérios e registrar superávit primário, com revisão da reforma tributária.

O trabalho separa os dois de forma mais nítida. Lula defende o fim da escala 6x1 com jornada de 40 horas semanais sem redução de salário, a mesma pauta que o Congresso adiou para depois da eleição nesta semana.

Flávio não propõe extinguir a escala. Ele aposta em jornada flexível, negociada direto entre empresas e trabalhadores.

Em segurança pública, Flávio detalha números. Promete construir 5 presídios federais de segurança máxima e abrir 500 mil vagas no sistema prisional, além de reduzir a maioridade penal e classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações "narcoterroristas".

Lula aposta na integração entre União, estados e municípios e na aprovação da PEC da Segurança, também travada no Congresso.

O Judiciário é outro ponto de ruptura. Flávio quer limitar decisões monocráticas no STF, retirar competências criminais originárias da Corte e criar quarentena de um ano antes que ministros de Estado sejam indicados a uma vaga. Lula não propõe mudanças nas competências do tribunal.

Na saúde, os dois priorizam reduzir as filas do SUS, mas por caminhos diferentes. Lula amplia a atenção básica e o programa Agora Tem Especialistas; Flávio aposta em prontuário eletrônico único, agendamento por inteligência artificial e telessaúde.

O plano mais longo não é o mais votado

Caiado apresentou o plano mais extenso e estruturado dos três, batizado de Estratégia Brasil 2040: 100 páginas organizadas em diagnóstico, propostas e indicadores, segundo o levantamento do Poder360 sobre os programas de governo.

Nas pesquisas nacionais mais recentes, porém, ele aparece com 1% a 4% das intenções de voto. Fica atrás até de Augusto Cury, cujo plano tem 200 páginas e votação de 7% a 10%.

O Datafolha, com coleta entre 1º e 3 de setembro, mostra Lula com 39% no primeiro turno contra 32% de Flávio.

No cenário de segundo turno, a distância cai para 46% a 44%, um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais declarada pelo instituto.

O Quaest/Genial, com coleta entre 30 de agosto e 1º de setembro, chega a números parecidos: 37% para Lula e 30% para Flávio, com Cury em terceiro (10%) e Caiado entre os últimos (1%).

As duas pesquisas ouviram cerca de 2.000 eleitores, com margem de erro de dois pontos e 95% de confiança. O Datafolha tem registro BR-03669/2026 no TSE; o Quaest, BR-07065/2026.

Flávio, porém, carrega rejeição de 47% no mesmo levantamento, a maior entre os presidenciáveis testados.

O que acontece agora

O primeiro turno da eleição presidencial está marcado para 4 de outubro. Até lá, o TSE segue analisando o registro das candidaturas, tendo já homologado a candidatura de Pablo Marçal mesmo com pendência de inelegibilidade.

A margem que decide a eleição

Nenhuma das duas pesquisas mais recentes aponta vencedor fora da margem de erro no segundo turno. A distância de dois pontos entre Lula e Flávio é exatamente o tamanho da margem declarada pelos institutos.

É esse dado, mais do que qualquer plano de governo, que deve pautar a reta final da campanha até outubro.