A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 ante os três meses anteriores, informou o IBGE nesta terça-feira (1º). O resultado, dentro do intervalo esperado pelo mercado, representa desaceleração frente ao crescimento de 1,1% do primeiro trimestre. O PIB chegou a R$ 3,4 trilhões no período.
No acumulado do ano até junho, o avanço foi de 1,9%. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a alta foi de 2%.
Entre os setores, a agropecuária cresceu 2,8% no trimestre e segue como a principal força da economia em 2026, com alta acumulada de 3,6% no semestre. Serviços avançaram 0,2% e a indústria, 0,1%, puxada pela extrativa, que subiu 3,4%.
Do lado da demanda, o retrato é mais frágil. O consumo das famílias recuou 0,4% no trimestre, mesmo com o PIB positivo.
O investimento em formação bruta de capital fixo subiu 1,2%, e a taxa de investimento chegou a 16,1% do PIB.
As exportações caíram 0,8%, enquanto as importações cresceram 1,8%.
A queda no consumo tem explicação direta na taxa de juros. A Selic ficou em média em 14,25% ao ano no trimestre e segue hoje em 14% ao ano.
Esse patamar trava o crédito e pesa sobre famílias já endividadas, mesmo com o mercado de trabalho aquecido segurando parte do impacto.
Nossa expectativa é que esses efeitos da agro diminuam no terceiro tri, o efeito do aperto monetário continue se espalhando pela economia, e você tem um terceiro trimestre crescendo, mas em ritmo menor.
A avaliação é de Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV. Para ele, o resultado positivo do trimestre foi puxado por uma safra forte que tende a perder força, enquanto o efeito da Selic alta ainda vai se espalhar pelos próximos meses.
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Quanto o país deve crescer em 2026?
O boletim Focus, do Banco Central, projeta expansão de 1,92% para o PIB neste ano, revisão para baixo ante os 1,95% estimados na semana anterior.
O próprio Banco Central trabalha com uma alta de 2,0%, e o Ministério da Fazenda mantém a estimativa mais otimista, de 2,3%. A distância entre as três projeções mostra o quanto o ritmo do segundo semestre ainda é incerto.
A desaceleração já vinha sendo sinalizada.
Em agosto, o próprio Banco Central já havia identificado uma desaceleração da atividade econômica no mesmo trimestre pela prévia mensal, o IBC-Br. O IBGE confirma a tendência agora, com números oficiais.
Parte da resistência da Selic no patamar atual está ligada ao cenário externo. O Banco Central tem citado o choque do petróleo como um dos motivos para não cortar os juros com mais rapidez, o que prolonga o aperto sobre o consumo das famílias.
O cenário fiscal também limita o espaço de manobra do governo. Em julho, a dívida bruta do setor público bateu a maior marca em cinco anos, em 82,5% do PIB, o que reduz a margem para novos estímulos à economia.


























