O presidente da CDL-BH e do Conselho do Sebrae Minas, Marcelo Souza e Silva, disse que a carga tributária brasileira funciona como um "sócio" que fica com até 40% do retorno das empresas sem entregar nada em troca. Em entrevista à TV Sim Brasil, ele também criticou as novas tarifas dos Estados Unidos ao Brasil.
A declaração foi dada durante a mesma entrevista à TV Sim Brasil e à rádio 88.7 FM em que Souza e Silva comentou o fim da escala 6x1. Ele falou também sobre a reforma tributária e uma viagem recente que fez à China.
"Nós temos, os empresários têm um sócio que tem 34 até 40% de participação na sua empresa e que não dá retorno nenhum", afirmou Souza e Silva.
Segundo ele, além dos impostos, o empresário ainda paga assistência médica extensiva aos familiares dos funcionários e um vale-transporte que não é descontado do salário.
Reforma tributária simplifica, mas carga não cai
Sobre a reforma tributária em vigor, Souza e Silva reconheceu avanço na simplificação de processos, mas disse que a CDL-BH esperava também uma redução imediata da carga.
"O grande problema é que tem vários interesses e hoje a gente tem uma máquina pública muito pesada que precisa dessa recadação para se manter", afirmou.
Ele defendeu atenção especial às empresas do Simples Nacional, que segundo ele somam um volume grande de negócios no Brasil e vão precisar de apoio para se adequar às novas regras.
A viagem à China e as tarifas dos EUA
Em viagem recente à China, ao lado de um grupo de 20 empresários do polo calçadista de Nova Serrana, Souza e Silva perguntou a um dono de fábrica qual era a jornada de trabalho no país.
"A jornada de trabalho na China, palavras dele, eu não sei se tem alguém que gravou, 28 por 2, são 28 dias trabalhados e dois dias de descanso", contou.
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Ele disse que não defende esse modelo para o Brasil, mas destacou a força da linha de produção chinesa e o cuidado do governo do país em gerar emprego e renda em larga escala.
Ele lembrou que o mesmo raciocínio vale para os governos. Assim como empresários acompanham tendências de mercado, países ajustam suas relações comerciais ao longo do tempo.
Para ele, o ideal seria mapear quais setores brasileiros são mais afetados pelas tarifas e buscar negociação específica para cada um, em vez de uma resposta genérica.
Sobre as novas tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, Souza e Silva foi direto.
"Não é bom, não é bom", disse Souza e Silva sobre o impacto das tarifas.
Para ele, o caminho é manter boa relação institucional com as grandes potências e buscar entendimento comercial, sem que o Brasil perca soberania na produção de bens estratégicos.
































