Pelo menos 786 candidatos registrados para as eleições de 2026 declararam cor ou raça diferente da que informaram à Justiça Eleitoral em 2022, segundo levantamento do G1 com dados parciais do TSE. O número equivale a 4,5% das 17.413 candidaturas analisadas até 12 de agosto.
A mudança mais comum foi de branco para pardo, registrada em 308 candidaturas. O caminho inverso, de pardo para branco, somou 262 casos. Juntas, as duas trocas respondem por 72,5% de tudo o que foi identificado.
As alterações se concentram nas candidaturas proporcionais. Deputado estadual (452 casos), deputado federal (279) e deputado distrital (22) somam 753 registros, ou 95,8% do total.
A discussão ganha peso porque, desde 2024, os partidos são obrigados a aplicar pelo menos 30% dos recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário em candidaturas de pessoas pretas e pardas — verba que só pode ser usada para essas campanhas.
Especialistas ouvidos no levantamento apontam que parte das mudanças pode refletir tentativa de acessar esses recursos. Eles ressaltam, porém, que os dados sozinhos não permitem afirmar essa motivação nos casos analisados.
Partidos com mais alterações
Em número absoluto, o Republicanos lidera as mudanças, com 75 candidaturas, seguido por PL (70), MDB (62), Podemos (60) e PSD (52). O PT aparece com 47 alterações.
Como os partidos reagem
Pelo menos dois partidos já adotaram mecanismos de checagem da autodeclaração. O PT informou que adotou neste ano uma banca de heteroidentificação para candidatos que se declaram pretos ou pardos. O PSOL contratou uma banca externa, organizada pelo Instituto Quilombação, para o mesmo fim.
O próprio TSE já sinaliza que pode adotar bancas de heteroidentificação como regra geral em eleições futuras, medida ainda em análise por comissões temáticas do tribunal.
No total, 49,64% das candidaturas registradas para 2026 são de pessoas negras (pretas e pardas), segundo a classificação da Justiça Eleitoral, e 0,93% são de pessoas indígenas.


























