Os Estados Unidos aplicaram a mesma tarifa de 50% sobre produtos do Brasil e do Canadá em agosto, mas os dois países escolheram caminhos opostos. O Canadá anunciou retaliação dólar por dólar a partir de 8 de setembro, enquanto o Brasil negociou isenções para setores como aeronaves, energia e suco de laranja.
O Canadá foi atingido em US$ 20 bilhões em exportações aos EUA, em setores como vinho, laticínios, cimento e equipamentos esportivos. O primeiro-ministro Mark Carney prometeu igualar a tarifa americana dólar por dólar, mirando aço, eletrodomésticos e equipamentos agrícolas dos EUA.
O Brasil recebeu a mesma alíquota de 50%, em vigor desde 6 de agosto, mas negociou isenções em setores-chave: aeronaves civis, energia, suco de laranja, ferro-gusa, metais preciosos, celulose e fertilizantes.
O Brasil e os EUA marcaram uma reunião para retomar a negociação comercial depois do tarifaço, mantendo o canal de diálogo aberto.
O México segue rota parecida com a do Brasil: o novo embaixador do país nos EUA disse esperar um novo acordo até o fim do ano.
Duas apostas diferentes
O Canadá aposta na simetria: retaliar na mesma proporção para forçar os EUA a recuar, mesmo sem isenção garantida para os setores atingidos.
O Brasil apostou em manter a mesa de negociação aberta, e já colheu isenções que o Canadá ainda não tem.
A disputa também complica o futuro do USMCA, o acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá.
Qual estratégia rende mais
As duas táticas seguem em teste. Resta saber se a retaliação simétrica do Canadá vai forçar uma nova rodada de negociação com os EUA, ou se o caminho brasileiro, de manter o diálogo aberto e acumular isenções pontuais, continuará rendendo mais no curto prazo.



























