Os Estados Unidos aplicaram, à meia-noite deste sábado (22), tarifa de 50% sobre US$ 28 bilhões em produtos canadenses, após o fracasso de um acordo comercial na sexta-feira (21). O Brasil já enfrenta situação parecida desde meados de agosto, com tarifa efetiva média de 16,6% sobre suas exportações aos EUA.

A nova tarifa dos EUA atinge uma longa lista de produtos canadenses, entre eles cerveja e queijo, itens do dia a dia que ficam mais caros para o comprador americano a partir de agora.

O acordo entre EUA e Canadá fracassou depois que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, suspendeu as negociações. Ele classificou como "injustas" e "anti-econômicas" mudanças de última hora propostas pelos americanos.

A Casa Branca disse que a tarifa pune o Canadá por retaliações de 2025, quando províncias canadenses retiraram vinho e bebidas dos Estados Unidos de lojas estatais. O Canadá prometeu retaliar "dólar por dólar".

O Brasil já paga essa conta há semanas

Segundo levantamento do economista Sergio Vale, da MB Associados, divulgado em 15 de agosto, a tarifa efetiva média paga pelo Brasil subiu de 10,3% para 16,6% com as sobretaxas recentes. A dos concorrentes brasileiros ficou em 9,1%.

A desvantagem tarifária do Brasil saltou de 0,8 ponto percentual para 7,5 pontos percentuais em relação a outros exportadores.

"O comprador americano tem 7,5 pontos de incentivo para trocar o fornecedor brasileiro", disse Vale.

O Brasil é hoje o segundo país com pior acesso ao mercado americano, atrás só da China. O governo estima que 47,3% das exportações brasileiras aos Estados Unidos sejam atingidas pelas tarifas de Trump.

"A situação é crítica e preocupa muito a indústria", afirmou Constanza Negri Biasutti, da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Duas respostas diferentes à mesma tarifa

O Canadá prometeu retaliar "dólar por dólar" assim que a tarifa de 50% entrou em vigor. O Brasil convive com sobretaxas mais altas há semanas, sem uma retaliação equivalente anunciada até a publicação desta matéria.

Fica em aberto se a resposta imediata do Canadá consegue abrir uma negociação mais rápida do que a disputa que o Brasil já trava há mais tempo.